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Adolescente é a primeira vítima da Perimetral Leste em trecho sem sinalização

Jovem foi atropelado por viatura da Receita Federal; PRF diz que rodovia não foi projetada para pedestres e aponta travessias frequentes de crianças

Adolescente é a primeira vítima da Perimetral Leste em trecho sem sinalização
Local do atropelamento no km 12,7 da Perimetral Leste, onde adolescente de 14 anos morreu ao cruzar a rodovia sem sinalização adequada | Foto: Enrique Alliana
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Kauã Samuel Eugênio Padilha, de 14 anos, morreu após ser atropelado por uma viatura da Receita Federal na manhã de terça-feira (28), no km 12,7 da Perimetral Leste, na região do Porto Meira, em Foz do Iguaçu. Ele seguia de bicicleta para a escola e atravessava a via quando foi atingido.

No ponto do acidente, no acesso à Ponte da Integração Brasil–Paraguai, não havia sinalização para travessia de pedestres nem alerta de redução de velocidade.

Após a morte do adolescente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou travessias frequentes de crianças no local e informou ao Plural que irá solicitar medidas emergenciais, como instalação de placas de advertência, reforço da sinalização horizontal e estudo de solução definitiva para travessia segura.

Inauguração sob veto

A rodovia foi inaugurada em 11 de dezembro de 2025 pelo governador Ratinho Junior (PSD). Na véspera, a PRF e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) haviam emitido veto técnico formal, registrando que o trecho não reunia condições mínimas de segurança para operação. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), responsável pela execução e gestão da obra, manteve a via aberta.

Em 19 de dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou a Ponte da Integração Brasil–Paraguai, estrutura central do corredor logístico. A entrega não encerrou o impasse sobre a Perimetral.

O DNIT manteve o entendimento de que o trecho integrava a BR-277 e não poderia operar sem vistoria e recebimento formal pela União. A PRF chegou a não patrulhar a via nem registrar ocorrências, por considerar que a obra não havia sido oficialmente entregue.

Rodovia corta bairros sem travessia segura

Projetada como corredor de alta velocidade para retirar caminhões do centro de Foz do Iguaçu, a Perimetral Leste percorre 14,7 quilômetros, ligando a BR-277, na região norte da cidade, ao acesso à Ponte da Integração Brasil–Paraguai, no extremo sul, no bairro Porto Meira.

Ao longo do traçado, a rodovia foi estruturada com seis interseções em desnível: no km 0, com a BR-277; no km 4,5, com a Avenida Felipe Wandscheer; no km 7, com a BR-469 (Avenida das Cataratas); no km 11, com a Avenida República Argentina; no km 12, com o acesso à Ponte Tancredo Neves (Argentina); e, no km 12,7, com a Avenida General Meira, já na ligação com a Ponte da Integração.

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A rodovia cruza a região leste da cidade, alcançando bairros como Mata Verde, São Roque, Cognópolis e, já próximo à fronteira, Porto Meira, onde está situada a maior ocupação urbana do Paraná, a Ocupação Bubas.

Sem estruturas de travessia, a via funciona como barreira física entre esses bairros. Moradores, inclusive crianças, passaram a depender de acessos improvisados e cruzamentos irregulares para se deslocar entre lados opostos da cidade, muitas vezes diretamente sobre a pista de tráfego rápido.

Acidentes expõem falhas de acesso e sinalização

Entre janeiro e esta quarta-feira (29), a PRF registrou 24 acidentes na Perimetral Leste, com 37 feridos e uma vítima fatal, o adolescente Kauã. Predominam colisões transversais, em cruzamentos e acessos diretos à pista, e colisões frontais, associadas a manobras irregulares e invasão de faixa contrária.

No km 4,5, na altura do viaduto da Avenida Felipe Wandscheer, a PRF identificou conflitos operacionais e determinou o fechamento de acessos na abertura da via.

Em dezembro de 2025, a corporação solicitou o bloqueio imediato desses pontos após apontar falhas de sinalização e riscos à segurança. Parte dos acessos foi fechada, sobretudo no km 4,5 e no km 7, no cruzamento com a BR-469. Mesmo com os bloqueios, um acesso no km 4,5 permanece ativo e é utilizado de forma irregular para retorno direto na pista, manobra que amplia o risco de colisões. Segundo a PRF, novos acessos clandestinos continuam sendo abertos ao longo da via.

Para a corporação, essas entradas não autorizadas “comprometem a lógica de segurança do empreendimento”, ao introduzir pontos de conflito não previstos em uma rodovia de tráfego rápido.

A partir de maio, a Perimetral Leste passará a concentrar cerca de 200 caminhões por dia com o desvio do fluxo de exportações autorizado pela Receita Federal. 

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