O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (20) que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia não foi assinado durante a cúpula realizada em Foz do Iguaçu em razão de disputas internas no bloco europeu. O governo brasileiro projeta a formalização do tratado para janeiro.
Apesar da frustração com o adiamento, Lula disse que o entendimento segue politicamente viável e não corre risco de ser abandonado. Segundo ele, a expectativa é de que a assinatura ocorra já durante a presidência paraguaia do Mercosul, que começa no próximo mês, sob comando do presidente Santiago Peña.
A data deste sábado havia sido indicada por lideranças europeias para a conclusão do acordo, negociado há mais de duas décadas. No discurso de abertura da 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados, Lula afirmou que a União Europeia solicitou mais tempo para discutir salvaguardas agrícolas, diante da pressão exercida por produtores rurais de alguns países do bloco.
O presidente mencionou a oposição histórica da França, que teme impactos sobre seu setor agrícola, mas disse que o impasse mais recente envolve a Itália e debates internos sobre a política de subsídios europeia. Ele relatou ter conversado por telefone com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que, segundo afirmou, indicou disposição para assinar o tratado no início de janeiro.
Para Lula, a resistência francesa, de forma isolada, não é suficiente para impedir a conclusão do entendimento. O presidente disse ainda ter recebido, na véspera, carta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, na qual ambos manifestam expectativa de aprovação no próximo mês.
“O acordo será firmado”, garantiu Lula, ao defender que a assinatura ocorra no início da presidência paraguaia do Mercosul. Segundo ele, o adiamento impediu que a cúpula enviasse uma mensagem mais contundente em defesa do multilateralismo, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e avanço de medidas protecionistas.
Livre comércio
Negociado desde 1999, o acordo Mercosul–União Europeia envolve um mercado estimado em 722 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de cerca de US$ 22 trilhões. Quando concluído, será um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, com impacto direto sobre tarifas, regras sanitárias, acesso a mercados e cadeias produtivas.
Além das tratativas com a União Europeia, Lula afirmou que o Mercosul seguirá empenhado em ampliar sua rede de parcerias comerciais. Citou o acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), avanços nas negociações com Emirados Árabes Unidos e Canadá e a retomada do diálogo com a Índia. Também mencionou tratativas com Japão e Vietnã.
No plano regional, o presidente voltou a defender o fortalecimento do comércio intrarregional sul-americano, que hoje responde por cerca de 15% do fluxo comercial da região. Segundo ele, a ampliação das regras do bloco para setores como o automotivo e o sucroalcooleiro pode ajudar a reduzir assimetrias e aprofundar a integração econômica.
A cúpula em Foz do Iguaçu marcou o fim da presidência pro tempore brasileira do Mercosul, assumida em julho.
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