A campanha de vacinação contra a gripe em Foz do Iguaçu avança com baixa cobertura infantil e restrições na rede básica. Dados da Secretaria Municipal de Saúde, divulgados pela Secretaria de Comunicação, mostram que apenas 8,8% das crianças de seis meses a menores de seis anos foram imunizadas até o fim de abril. Entre os principais grupos prioritários (crianças, idosos e gestantes), a cobertura é de 34,1%, ainda distante da meta de 95% do Ministério da Saúde.
Entre janeiro e 29 de abril, o município registrou 250 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 20 mortes. Entre os óbitos, estão três crianças de 1 a 4 anos e nove idosos. Esses dois grupos concentram também a maior parte dos casos graves: 47% das notificações em crianças menores de 4 anos e 22% em pessoas com 60 anos ou mais.
A baixa adesão entre crianças é atribuída pela Secretaria a fatores como a dependência dos responsáveis para levar os menores às unidades de saúde, a baixa percepção de risco da doença nessa faixa etária e a desconfiança em relação à vacina. A gestão do secretário Fabio de Mello, contudo, não apresentou dados que quantifiquem o peso desses fatores no município.
Para ampliar a cobertura, a Secretaria afirma ter adotado estratégias como verificação da situação vacinal em escolas, envio de bilhetes nominais aos responsáveis e uso de listas de crianças com atraso na aplicação de vacinas para contato direto com as famílias. Também estão previstas ações em distritos com maior concentração de público não imunizado. A pasta, no entanto, não apresentou dados de alcance ou resultado dessas medidas.
Déficit de enfermagem
Além da baixa cobertura, a campanha enfrenta restrições de atendimento em unidades básicas de saúde. Segundo a Secretaria, não houve falta de doses, mas há déficit de profissionais de enfermagem em parte da rede, o que impacta diretamente o acesso à vacinação.
Unidades localizadas no Distrito Nordeste e em áreas do Distrito Norte, como as UBS AKLP e Curtibano, operam com quadro reduzido devido a afastamentos e restrições de saúde de servidores. O problema afeta a regularidade do atendimento desde o início da campanha, sem provocar interrupção total dos serviços.
Como medida de mitigação, a Prefeitura prevê a abertura de algumas unidades aos finais de semana para ampliar o acesso da população, mas não detalhou datas, número de unidades ou capacidade adicional de atendimento.
Em relação ao mesmo período de 2025, houve avanço no número de doses aplicadas, de 17.848 para 23.626. Ainda assim, a cobertura permanece abaixo do esperado em todos os grupos: 31,81% entre idosos e 29,59% entre gestantes.
A Secretaria também não informou a distribuição da cobertura por regiões da cidade, o que impede identificar áreas com maior vulnerabilidade. Questionada sobre a evolução epidemiológica em relação a 2025, a pasta não apresentou dados comparativos.