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Foz cria empregos, reduz Bolsa Família e vê MEI crescer mais que o dobro do emprego formal

Cidade abriu 5,7 mil vagas formais desde 2023; número de MEIs cresceu 18,2% e seguro-desemprego subiu quase 20% no período

Foz cria empregos, reduz Bolsa Família e vê MEI crescer mais que o dobro do emprego formal
Emprego formal em Foz do Iguaçu cresceu 8,7% desde 2023, com abertura de cerca de 5,7 mil vagas. Foto: Divulgação

Foz do Iguaçu criou cerca de 5,7 mil empregos formais desde 2023 e reduziu em 11,8% o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família no período. Análise da reportagem com base em dados do Governo Federal mostra, porém, crescimento mais acelerado dos microempreendedores individuais (MEIs) e alta do seguro-desemprego em uma economia fortemente dependente do turismo e dos serviços.

Os dados mostram que o município passou de 65,3 mil vínculos formais em 2023 para 71 mil em março de 2026, alta de 8,7%.

No mesmo intervalo, o número de MEIs saltou de 29,7 mil para 35,1 mil, crescimento de 18,2%, mais que o dobro da expansão registrada no emprego formal.

Já o Bolsa Família recuou de 22,9 mil famílias atendidas em 2023 para 20,2 mil em abril de 2026, queda de 11,8%.

Enquanto o emprego formal e o número de MEIs cresceram, os pagamentos de seguro-desemprego em Foz passaram de R$ 69,2 milhões em 2023 para R$ 82,8 milhões em 2025, alta de 19,7%.

Os números tensionam parte do discurso empresarial que relaciona benefícios sociais à dificuldade de contratação. Mesmo com a redução do Bolsa Família no período, setores ligados ao turismo e aos serviços relatam escassez de mão de obra e dificuldade de retenção.

“O segmento vive atualmente um paradoxo: ao mesmo tempo em que o turismo registra crescimento expressivo e amplia a geração de empregos formais, as empresas enfrentam escassez de mão de obra qualificada e dificuldade para preencher vagas operacionais estratégicas”, afirmou o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu (Sindhotéis), em resposta enviada à reportagem.

Segundo a entidade, áreas como recepção, governança, cozinha, camareiras, atendimento e serviços gerais estão entre as mais afetadas pela dificuldade de retenção.

O Sindhotéis também relaciona o cenário à menor adesão de trabalhadores mais jovens a jornadas operacionais tradicionais, marcadas por trabalho em fins de semana, horários estendidos e alta exigência física e emocional.

Na mesma linha, a Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI) afirmou que empresas do município têm relatado dificuldade generalizada para preenchimento de vagas por fatores ligados a qualificação técnica, perfil profissional e condições de contratação.

O debate ganhou força nas últimas semanas com o avanço das discussões nacionais sobre redução da jornada semanal encampada pelo Governo Lula e críticas diretas ao modelo 6x1, predominante em setores ligados ao turismo e aos serviços.

Nesta segunda-feira (18), a Câmara Municipal de Foz do Iguaçu realiza seminário sobre a redução da jornada semanal e o fim da escala 6x1, com participação de deputados federais, centrais sindicais e trabalhadores. Representantes de entidades patronais não foram convidados.

Sem estudo técnico consolidado sobre os impactos econômicos da redução da jornada semanal na economia local, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu (CODEFOZ) informou à reportagem que o tema ainda não foi discutido em plenária pelo conselho.

Em nota, a entidade destacou que a estrutura econômica do município torna a cidade mais sensível a mudanças em modelos de jornada e operação contínua.

A combinação entre crescimento do emprego formal, expansão acelerada do MEI, alta do seguro-desemprego e dificuldade de retenção em setores operacionais já passou a tensionar o debate sobre o modelo de trabalho da economia turística de Foz do Iguaçu, tema que deve dominar o seminário realizado nesta segunda-feira (18), às 19h, na Câmara Municipal.

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