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Festival de Arte Urbana batalha por espaço para a cultura jovem periférica em Guaratuba

Iniciativa do Coletivo Escola de Rua tem oficinas, competições e apresentações neste domingo (17); a ação abre espaço no litoral para o Hip-Hop, skate, Slam e grafite

Festival de Arte Urbana batalha por espaço para a cultura jovem periférica em Guaratuba
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Neste domingo (17), o Coletivo Escola de Rua promove o 1⁠º Evento de Artes Urbanas na Praça do Complexo Esportivo de Guaratuba – PR. Com oficinas, campeonatos, batalhas de rima e poesia, o festival é gratuito e busca dar protagonismo aos jovens no cenário cultural da cidade. A ação também comemora os cinco anos da pista de skate local e o Dia Mundial do Hip-Hop, batendo grafites com símbolos do município, como o guará, e trazendo ao palco temas ligados às necessidades e desafios enfrentados pela juventude.

Grafite, música e Slam

O dia começa com uma aula teórica de grafite, seguida por atividades práticas à tarde, quando os participantes terão a oportunidade de aprender com artistas experientes, ao som do DJ Rasta. Das 16h às 20h, acontecem as batalhas de poesia (Slam) e de rimas, além de Pocket Show de artistas locais. Para as crianças haverá uma área kids com cama elástica e oficinas de pintura. A programação conta, ainda, com a feira de artesanato do Instituto Canto do Caiçara (ICAC) e basquete de rua.

Escola de Rua: Hip-Hop unindo a juventude

Dados do IBGE mostram que a faixa etária de 10 a 24 anos é majoritária em Guaratuba e vive em condições de precariedade social. Dentre outras dificuldades, os jovens das periferias enfrentam desafios para acessar projetos culturais e sociais. Isso foi a motivação para o nascimento do Escola de Rua, que promove a cultura hip-hop como ferramenta de integração, formação e expressão artística.

A produtora cultural e poetisa marginal Monica Andrade Luz explica que o Escola de Rua foi pensado como uma espécie de guarda-chuva para englobar eventos e movimentos da cultura urbana que já acontecem na cidade, como o Solo sul, e também os que estão para nascer: “A ideia desse primeiro evento é dar visibilidade para o coletivo, mas principalmente atrair e unir artistas e de rua que já desenvolvem elementos do hip-hop. Nossa preocupação é sempre a de abrir a possibilidade de participação e formação do artista de rua.”

Arte periférica é patrimônio cultural

O grupo reúne as gerações gen Z e 60+, conectadas por um objetivo comum. Composto por sete integrantes, sendo cinco artistas urbanos e duas pesquisadoras da área da educação, o coletivo reconhece o poder transformador dos elementos do hip-hop – grafite, dança urbana, Rap, DJs e MCs – aliados ao conhecimento. A cultura, muitas vezes criminalizada, é um patrimônio cultural mundial e representa resistência e luta por direitos nas comunidades periféricas.

“O pessoal que não convive com a periferia não se dá conta, mas essa cultura está bastante arraigada, é uma cultura forte, pujante, há vários artistas que estão disputando muita qualidade em todos os elementos do hip-hop”, afirma Lígia Regina Klein, pesquisadora da educação e assessora pedagógica do coletivo. “Os cinco companheiros que conversaram comigo e com a Maria trouxeram essa vertente e nós aderimos. Queremos dar um apoio à juventude partindo da sua própria cultura, não trazendo uma externa, mas valorizando e reconhecendo, contribuindo para dar visibilidade a essa expressão cultural tão rica e que não aparece por conta do preconceito.”

A união das gerações se deu, inclusive, por meio de uma ação cultural financiada pela Lei Paulo Gustavo de Incentivo à Cultura. Maria e Ligia conheceram dois dos integrantes do coletivo em um curso de atuação e roteiro de documentário.

100 amigos, 10 reais

O Escola de Rua trabalha de forma colaborativa, todas as decisões são tomadas em conjunto. A ideia nasceu da experiência de Bruna Tomasini e Deyvid Soboleski em Abelardo Luz–SC, onde realizaram oficinas de grafite e outros elementos do hip-hop com apoio da Lei Rouanet. Ao se mudarem para Guaratuba, buscaram reproduzir a iniciativa, integrando artistas locais e lançando uma campanha para viabilizar oficinas e eventos, como a comemoração dos cinco anos da pista de skate local, onde foi liberado o grafite pela primeira vez.

Sem incentivo governamental, o coletivo busca recursos na comunidade. Campanhas como “100 amigos, 10 reais” no Facebook e parcerias com comércios locais possibilitam a compra de tintas para as oficinas de Grafite e de outros itens necessários às ações.

“É nosso desejo que o município seja conhecido pela cultura hip-hop, que já é uma marca”, diz Maria Auxiliadora Cavazotti, também pesquisadora da educação e assessora pedagógica do projeto. “A gente quer que isso se manifeste, se torne visível, e o que nós pudermos dar de apoio para uma profissionalização da arte dentro do hip-hop, a gente vai oferecer. No mapa cultural da cidade de Guaratuba, estão presentes o artesanato, a capoeira, a Festa do Divino e outras manifestações, mas não o hip-hop. O nosso objetivo é tentar colocar a cultura urbana no contexto das manifestações artísticas da cidade.”

Além de eventos locais, o coletivo pretende expandir suas ações para outros locais do Paraná, consolidando a Escola de Rua como um movimento que utiliza a cultura urbana para fomentar inclusão, protagonismo e transformação social.

Leia também: “O Menino Zumbi” sobe ao palco do Guairão no Dia da Consciência Negra

Evento de Artes Urbanas em Guaratuba, da Escola de Rua

Domingo, 17 de novembro de 2024, das 9h às 20h, na Praça do Complexo Esportivo, Rua Tocantins, Guaratuba-PR.
Inscrições na oficina e inclusão no grupo de WhatsApp do coletivo pelo Instagram do coletivo.

Pix para doações [email protected] (Deyvid Soboleski, coordenador do Escola de Rua)

Rafaela Moura

Rafaela Moura

Jornalista e bióloga, com especial interesse em temas socioambientais

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