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Manifestações do 8 de março no litoral do Paraná denunciam violência contra mulheres e cobram políticas públicas

Atos em Guaratuba, Paranaguá, Matinhos e Pontal do Paraná incluem caminhadas, rodas de conversa e atividades culturais organizadas por coletivos e conselhos de direitos

Manifestações do 8 de março no litoral do Paraná denunciam violência contra mulheres e cobram políticas públicas
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Manifestações, caminhadas e rodas de conversa marcam o Dia Internacional das Mulheres neste domingo (8) em cidades do litoral do Paraná. A agenda integra o Março Mulheres Litoral PR, que reúne atividades organizadas por coletivos e conselhos municipais a fim de denunciar a violência contra mulheres e cobrar políticas públicas mais efetivas de proteção na região.

Para a advogada e coordenadora do Coletivo Juntas Guaratuba, Ariane Fernandes de Oliveira, a pressão social é fundamental para que essas pautas avancem: “Acredito que quando nossas vozes ecoam, quando estamos unidas em prol de uma luta, somos notadas e a importância de priorizar políticas públicas acontece exatamente porque somos ‘lembradas’ como eleitoras. Penso que a pressão social por meio de atos públicos é a fonte principal da mudança e da implementação de políticas públicas para grupos vulnerabilizados e minorizados.”

Guaratuba tem atos e caminhada contra a violência

Em Guaratuba, estão previstas três atividades ao longo da tarde deste domingo(8). A programação conta com um evento organizado pela prefeitura ao lado do Ginásio José Richa, das 13h às 18h e com a manifestação do Movimento Olga Benário, com concentração na Praia Central e caminhada até a Praça dos Namorados, a partir das 14h30. O Coletivo Juntas Guaratuba promove, ainda, um ato contra a violência na Praia Central, com roda de conversa, lanche, confecção de cartazes e caminhada, das 14h às 16h.

A mobilização organizada pelo Juntas Guaratuba traz como lema “basta de violência contra a mulher!”. Oliveira explica que o foco foi definido antes da ocorrência dos crimes recentes registrados na cidade, mas os episódios reforçaram o sentido da manifestação.

“O tema foi escolhido diante do aumento expressivo de violências cometidas contra meninas e mulheres em todo o Brasil, mas com toda certeza esses crimes impactaram de forma significativa a mobilização que está agendada para o dia 8 de março, bem como no próprio coletivo, com o reavivamento das discussões sobre as violências de gênero e os papeis socialmente construídos para as mulheres, além do ingresso de novas participantes no grupo”, afirma a advogada.

Oliveira aponta as falhas na articulação da rede de atendimento às vítimas no município como a principal dificuldade relacionada à proteção das mulheres em Guaratuba. Embora existam leis e políticas voltadas ao enfrentamento da violência, falta integração entre os serviços públicos.

Paranaguá tem roda de conversa e atividades culturais

Em Paranaguá, a programação do dia 8 de março inclui o evento Dia das Mulheres no Aeroparque, com roda de conversa, poesia, apresentações culturais e feira de artesanato, a partir das 14h. Em 16 de março, a agenda segue com a Ação de Conscientização e Apoio às Mulheres, no Terminal Urbano de Paranaguá, às 13h30.

A mobilização ocorre em um contexto de desafios para as mulheres da cidade. O estudo “Piores Cidades para Ser Mulher – 2024”, elaborado pela consultoria socioambiental Tewá 225, apontou Paranaguá como a pior cidade do país para mulheres viverem entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. O levantamento analisou 319 cidades brasileiras a partir de indicadores como desigualdade salarial, participação feminina na política, taxa de feminicídio e número de jovens mulheres que não estudam nem trabalham.

Para Matsuko Mori Barbosa, enfermeira aposentada, vice-presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Paranaguá e integrante do Fórum dos Conselhos de Direitos das Mulheres e Coletivos de Mulheres do Litoral do PR, as mobilizações buscam dar visibilidade a problemas estruturais enfrentados pelas mulheres da região.

“As mulheres do litoral necessitam de autonomia econômica, com trabalhos decentes e salários justos. Muitas estão na informalidade, enfrentando grandes dificuldades para sobrevivência sua e de sua família, o que as impede de sair do ciclo da violência doméstica”, afirma Barbosa.

As reivindicações incluem, ainda, mais vagas em creches, escolas em período integral, melhorias no transporte público e fortalecimento das redes de proteção contra a violência.

“É necessário que o governo do Estado e a prefeitura de Paranaguá se empenhem para mudar essa realidade, com estudos e pesquisas para realizar o diagnóstico dos problemas, ouvindo as mulheres, fazendo um planejamento adequado que abranja todos os aspectos da vida das mulheres”, defende a conselheira.

Matinhos tem ato de rua e outras atividades ao longo do mês

Em Matinhos, o dia 8 é marcado pelo ato “Mulheres na Rua”, com caminhada contra o feminicídio e todas as formas de violência, a partir das 14h, no Mercado do Peixe.

Parte da programação do mês acontece também na UFPR Litoral, que recebe atividades ligadas ao Março Mulheres Litoral PR, como a ação do projeto Banco Vermelho, no dia 9 de março, e a palestra da socióloga Lígia Cardieri, da Rede Feminista de Saúde, no dia 23.

“A universidade tem um papel social, que é estar a serviço da comunidade, tanto no que diz respeito ao seu espaço físico, porque é uma universidade pública. Então devemos utilizar esses espaços para reuniões, eventos e atividades que dialoguem com as necessidades do entorno”, afirma a Dra. Adriana Lucinda de Oliveira, professora da UFPR Litoral e coordenadora do projeto de extensão Prevenção e Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar, que deu origem ao Fórum dos Conselhos de Direitos das Mulheres e Coletivos de Mulheres do Litoral do PR.

Para Oliveira, as mobilizações do 8 de março também ajudam a colocar essas demandas na agenda pública, especialmente em um ano eleitoral: “Esses atos colocam na pauta a urgência de pensarmos políticas públicas. É importante que mulheres e homens analisem as plataformas dos candidatos e candidatas e identifiquem em que medida essas necessidades estão sendo contempladas.”

Pontal do Paraná tem debates sobre direitos e violência contra mulheres

Em Pontal do Paraná, a programação do Março Mulheres Litoral PR ocorre ao longo do mês com atividades voltadas ao debate sobre direitos, enfrentamento à violência e fortalecimento da participação feminina.

No dia 9 de março, será realizado o encontro “Resistência feminina: direitos, defesa e voz na justiça”, no auditório da Casa da Cultura, no Balneário Primavera, a partir das 13h30. 

Em 28 de março, haverá uma roda de conversa sobre direitos das mulheres, saúde, violência de gênero e fluxo de atendimento na rede de proteção. A atividade ocorre durante a Feira do Sol, em frente à Câmara de Vereadores, em Pontal do Sul, das 10h às 16h.

Serviço - Março Mulheres Litoral PR

Guaratuba

08/03 – Dia das Mulheres
Prefeitura e OPM
Local: ao lado do Ginásio José Richa
Horário: 13h às 18h

08/03 – Ato contra a violência
Roda de conversa, lanche coletivo, panfletagem, confecção de cartazes e caminhada
Coletivo Juntas
Local: Praia Central (letreiro)
Horário: 14h às 16h

08/03 – Ato de rua contra a violência
Movimento Olga Benário
Concentração: Praia Central, com caminhada até a Praça dos Namorados
Horário: 14h30

Paranaguá

08/03 – Dia das Mulheres no Aeroparque
Roda de conversa, poesia, apresentações culturais e feira de artesanato
Local: ao lado do parquinho e do módulo da Guarda Municipal
Horário: 14h

16/03 – Ação de conscientização e apoio às mulheres
Informações sobre prevenção à violência, direitos e rede de atendimento
Organização: Grupo Mulheres do Brasil, com apoio da UBM, Núcleo de Direitos Humanos Marielle Franco e Semdir Paranaguá
Local: Terminal Urbano de Paranaguá
Horário: 13h30

Pontal do Paraná

09/03 – Resistência feminina: direitos, defesa e voz na justiça
Local: Auditório da Casa da Cultura – Balneário Primavera
Horário: 13h30

28/03 – Roda de conversa sobre direitos e saúde das mulheres
Debate sobre violência contra mulheres e fluxo de atendimento da rede de proteção
Local: Feira do Sol, em frente à Câmara de Vereadores – Pontal do Sul
Horário: 10h às 16h

Matinhos

08/03 – Mulheres na Rua
Ato e caminhada contra o feminicídio e todas as violências
Organização: Coletivo de Mulheres / Central de Movimentos Populares
Local: Mercado do Peixe
Horário: 14h

09/03 – Banco Vermelho
Ação pelo fim da violência contra a mulher
Local: UFPR Litoral
Horário: 9h

23/03 – Março Mulheres Litoral
Palestra com Lígia Cardieri, socióloga e especialista em saúde pública da Rede Feminista de Saúde
Local: UFPR Litoral
Horário: 14h

Rafaela Moura

Rafaela Moura

Jornalista e bióloga, com especial interesse em temas socioambientais

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