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Debate da escala 6x1 chega a Foz após Câmara e Governo fecharem acordo por jornada de 40 horas

Conselho admite ausência de análise sobre os efeitos da medida na economia local; ACIFI usa estudo que projeta alta de até 37% no custo da hora trabalhada

Debate da escala 6x1 chega a Foz após Câmara e Governo fecharem acordo por jornada de 40 horas

O debate sobre o fim da escala 6x1 chega a Foz do Iguaçu nesta segunda-feira (18), poucos dias após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciar acordo com o Governo Federal para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

O seminário será realizado às 19h, na Câmara Municipal, com participação do presidente da comissão especial que discute a proposta, o deputado Alencar Santana, além dos deputados petistas paranaenses Welter e Zeca Dirceu, integrantes do colegiado. A mesa também contará com representantes da CUT, CTB, Força Sindical, Nova Central e UGT.

Entre os organizadores do encontro está o vereador Fernando Nègre, presidente do PT de Marechal Cândido Rondon. Ao defender a proposta, afirmou que críticas à redução da jornada repetem argumentos usados historicamente contra direitos trabalhistas. “Na época do 13º salário e das férias remuneradas também diziam que o país iria quebrar. Garantir cinco dias de trabalho e dois de descanso não vai quebrar o país.”

A agenda em Foz ocorre no mesmo dia em que a comissão especial reúne representantes do setor empresarial, em Brasília, para discutir os impactos econômicos da medida.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos defende o fim imediato da escala 6x1 e uma transição “de 30 ou 60 dias” para adaptação das empresas.

Enquanto Governo e Câmara aceleram a articulação política da medida, entidades empresariais de Foz admitem não possuir estudos específicos sobre os impactos da mudança em uma economia baseada em turismo, hotelaria e serviços de funcionamento contínuo.

A Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI) informou acompanhar o debate com base em estudos nacionais que apontam que a redução da jornada pode elevar entre 22% e 37% o custo da hora trabalhada.

Já o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Foz do Iguaçu (CODEFOZ) afirmou não possuir estudos específicos sobre os efeitos da medida na economia local e informou que o tema ainda não foi discutido em plenária do conselho.

Procurado pela reportagem, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu (Sindhotéis) defendeu uma transição gradual para eventual implementação da jornada de 40 horas. A entidade justifica que hotelaria, gastronomia e eventos operam em madrugadas, fins de semana, feriados e períodos de alta temporada, o que exigiria ampliação das equipes para manter o atual nível de atendimento.

A discussão ocorre em uma cidade de 297,3 mil habitantes, com 71 mil empregos formais e 35,1 mil microempreendedores individuais (MEIs), segundo dados do Governo Federal atualizados até março de 2026. O município também possui 20,2 mil famílias atendidas pelo Bolsa Família, cerca de 17,3% dos domicílios locais, além de 12,1 mil beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Nesse cenário, empresas dos setores de turismo, comércio e serviços vêm relatando dificuldade para preencher vagas em funções marcadas por trabalho noturno, jornadas em fins de semana e escalas 6x1. 

Ex-secretário municipal de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos, Gilmar Piolla afirma que o debate sobre a jornada de trabalho não pode ser reduzido a uma disputa ideológica entre empresários e trabalhadores. Segundo ele, Foz combina turismo aquecido, informalidade elevada e salários ainda baixos em parte dos setores diretamente atingidos pela proposta.

Piolla cita levantamento publicado pela PANROTAS com dados da Omnibees, indicando aumento de cerca de 20% na tarifa média hoteleira de Foz em 2025. Apesar disso, salários médios de hotéis e supermercados permanecem abaixo de R$ 3 mil, segundo dados do Portal Salário baseados no Caged e no Ministério do Trabalho.

“Mais folga pode significar mais qualidade de vida, mas, sem aumento de renda e formalização, também pode empurrar muita gente para bicos nos dias de descanso”, avalia.

O cronograma oficial da comissão especial da Camara dos Deputados prevê a apresentação do relatório final da proposta nesta terça-feira (20), com expectativa de votação do texto no plenário da Câmara ainda neste mês de maio.

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