Áudios divulgados na semana passada pelo Diário de Maringá divulgou áudios que revelam um suposto esquema de “caixa dois” na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). As gravações são atribuídas ao ex-gerente da Companhia Rafael Malaguido e a Jaime Antônio de Camargo Ferreira, ex-chefe de gabinete do secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, e indicariam pedidos de arrecadação de recursos dentro da estatal, supostamente destinados a auxiliar no pagamento de débitos da campanha eleitoral de 2022 do governador Ratinho Jr. (PSD).
Nos áudios há a menção a um valor de R$ 4 milhões para o pagamento de dívidas da campanha de reeleição de Ratinho, montante que se aproxima do déficit da campanha segundo os dados oficiais da prestação de contas, disponíveis no sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme os dados, há um rombo no valor de aproximadamente R$ 3,4 milhões.
Segundo os registros enviados à Justiça Eleitoral, a campanha declarou cerca de R$ 11 milhões em receitas, enquanto as despesas contratadas somaram aproximadamente R$ 14 milhões, resultando em um passivo superior a R$ 3,4 milhões ao final do processo eleitoral.
É nesse cenário que o conteúdo dos áudios ganha peso político: as gravações apontam para a hipótese de uso de estruturas de estatais estratégicas como instrumentos alternativos de arrecadação, supostamente destinados a cobrir déficits deixados pela campanha. As gravações indicariam pedidos irregulares para que servidores comissionados da Sanepar doassem parte de seu PPR (Plano de Participação nos Resultados) para a campanha.
Um dos trechos que ganhou destaque mostra um suposto gestor da Sanepar afirmando que "meu chefe não é o governador", e apontando Guto Silva como a autoridade máxima e avalista para autorizar supostas irregularidades dentro da companhia.
O governo do Paraná e a Sanepar classificaram as denúncias como "pauta velha" e afirmaram que as gravações são antigas ou descontextualizadas.
A oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), liderada pelos deputados Arilson Chiorato (PT) e Requião Filho (PDT), protocolou denúncias no Ministério Público, na Polícia Federal, no TSE e na CVM. Eles cobram esclarecimentos urgentes da Sanepar e da Casa Civil.
