No último dia 17, a cidade de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, recebeu um volume de chuvas de 59,6 mm. A precipitação veio por meio de uma tempestade acompanhada de uma forte rajada de vento que atingiu um conjunto comercial às margens da BR-116. O telhado da estrutura foi destruído, atingindo caminhões e carros.
Além da cidade metropolitana, mais cinco municípios paranaenses foram atingidos por chuva e ventos intensos no mesmo dia. Cidades como Manoel Ribas, Realeza, Jardim Alegre e Quedas do Iguaçu, no centro sul, sudoeste e norte do Paraná, também registraram temporais e vento forte que derrubou árvores, destelhou casas e danificou estruturas como silos e barracões.
Muitos moradores acreditaram que o intenso fenômeno era um tornado. Mas o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) descartou essa hipótese. Na última sexta-feira (20), o órgão destacou que o fenômeno se tratava de um Downburst, também conhecido como microexplosão.
O downburst é uma forte rajada de vento que desce da nuvem em direção ao solo. Diferente de um tornado, que possui ventos em rotação, ele se caracteriza por uma coluna de ar frio que desce rapidamente de uma nuvem de tempestade e, ao atingir o solo, se espalha de forma explosiva em linha reta.
Esses fenômenos, ainda são pouco estudados no Brasil, podem causar danos parecidos com os de tornados de menor força, das categorias F0 e F1.
Quando acontece um downburst, no início de uma tempestade o ar quente sobe e forma nuvens altas, com chuva e granizo. Com o crescimento da tempestade, essas partículas ficam grandes e começam a cair. Em alguns casos, entra ar mais seco na nuvem, o que favorece a formação de uma forte corrente descendente.
Na microexplosão, grandes volumes de chuva e granizo despencam rapidamente, arrastando ar para baixo. Se o ar abaixo da tempestade for seco, parte da chuva evapora, resfria o ar e o torna mais pesado, acelerando ainda mais a queda. Ao atingir o solo, o vento se espalha em todas as direções. As rajadas de vento podem passar de 160 km/h, tão fortes quanto as de um tornado.
Paraná na rota de fenômenos intensos
O município de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul paranaense, foi atingido por um tornado devastador no dia 07 de novembro de 2025. O fenômeno, classificado pelo Simepar como de categoria F4 na escala Fujita, tirou a vida de sete pessoas e causou destruição em cerca de 90% da área urbana da cidade.
Recentemente, São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, também foi atingida por um tornado de intensidade significativa. O fenômeno ocorreu na tarde de 10 de janeiro de 2026 e foi classificado pelo Simepar como categoria F2.
Dados do governo do estado indicam que o ano de 2025 registrou eventos meteorológicos históricos em diferentes regiões do Estado. O período foi marcado pela classificação de quatro tornados pelo Simepar, além do registro das temperaturas mais altas e mais baixas das séries históricas em algumas estações meteorológicas.
Foi na primavera do último ano que ocorreu um aumento expressivo de tempestades, conforme dados da Defesa Civil. Foram contabilizados 224 registros, mais que o dobro do ano anterior, com crescimento nos episódios de vendaval e granizo. Em setembro, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do estado, e um tornado de categoria F1 foi classificado em Santa Maria do Oeste no dia 22, data que marcou o início da estação.