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Líder de terreiro de umbanda de Curitiba denuncia intolerância religiosa

Terreiro Guerreiros do Vento fica no Abranches e vem sendo alvo de denúncias de perturbação do sossego, mas dirigente espiritual afirma se tratar de perseguição religiosa

Líder de terreiro de umbanda de Curitiba denuncia intolerância religiosa
A advogada Marcelle Benites, do Fórum de Religiões de Matriz Africana e a dirigente espiritual Talissa Carvalho Huebner em uma delegacia de Curitiba | Foto: arquivo pessoal
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O terreiro de umbanda Guerreiros do Vento, em Curitiba, vem sendo alvo de denúncias por perturbação de sossego e chegou a ser multado pela prefeitura. A situação ocorre há mais de um ano, todavia, a dirigente espiritual Talissa Carvalho Huebner afirma se tratar de perseguição religiosa.

Ao Plural Talissa explicou que comprou um imóvel no bairro Abranches, perto do terreiro Pai Tomé e Mãe Rosária, para construir um barracão no fundo. Isso aconteceu em 2024 e desde a mudança uma das vizinhas age de forma hostil e reclama da obra, do barulho e sobretudo dos momentos em que os rituais religiosos são praticados.

Segundo Talissa, o terreiro foi denunciado e houve registro de boletim de ocorrência contra ela no qual a vizinha aponta que pessoas saem sangrando e vomitando do terreiro. “Isso é uma mentira, nunca aconteceu nada disso aqui”, lamenta a líder espiritual.

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Desde julho de 2024 Talissa tem a guia que permite realização de culto religioso, mas enfrenta dificuldades para conseguir o alvará junto à prefeitura. “Nos denunciaram no meio ambiente e não estamos conseguindo liberação do alvará, onde está sendo o maior problema porque eles estão exigindo antecâmara, insuflador e exaustor de ar etc. O custo é muito alto e nunca vi terreiro com isolamento acústico de casa de show”, explica.

Em julho do ano passado a reforma de um muro também causou atrito com a vizinha. Em novembro de 2024 começaram as obras do barracão e em fevereiro deste ano Talissa instalou câmeras para “prevenção”. Foi neste mês que começaram os trabalhos no terreiro – apenas quatro vezes – nos quais os participantes foram proibidos de baterem palmas para evitar incômodos aos vizinhos.

No dia 1 de fevereiro deste ano a Polícia Militar foi acionada enquanto ocorria uma gira que terminou às 19h45. No dia 22, outra gira encerrada no mesmo horário também foi alvo de presença policial após denúncias de perturbação do sossego. Neste dia o terreiro foi multado pela Ação Integrada de Fiscalização Urbana (AIFU).

Outro templo

Na mesma rua em que fica o terreiro Guerreiros do Vento existe uma igreja evangélica que, também funciona sem alvará, conforme o protocolo 34.001933/2025, aberto em 10 de fevereiro junto à Secretaria de Urbanismo.

“Gostaria de fazer a denúncia de funcionamento de estabelecimento sem alvará onde a prefeitura tem ciência e nada faz. Entendo que para que a igreja funcione deve esta estar com toda a sua documentação em dia, da mesma forma que é exigido aos templos de matrizes africanas”, critica.

Sobre as dificuldades enfrentadas para regularização do terreiro, a prefeitura explicou que a aplicação da multa foi motivada por “diversas” denúncias de poluição sonora registradas no 156.

“A fiscalização constatou que o estabelecimento não contava com o isolamento acústico necessário e não tinha a devida licença ambiental. A associação não apresentou recurso e efetuou o pagamento da multa”, disse o Executivo, em nota.

O texto prossegue informando que “anteriormente, em 18 de fevereiro, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) já havia notificado a Associação por falta de licença ambiental”, e a ainda “no dia 22 de abril, a Associação solicitou o pedido de licença ambiental. O processo está tramitando. Em 14 de maio, a SMMA pediu complementação de documentos exigidos por lei, como o projeto de isolamento acústico e relatório fotográfico, mostrando medidas de contenção.  A Prefeitura ressalta que está à disposição para auxiliar nesse processo”.

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A nota enviada pela prefeitura não respondeu aos questionamentos feitos pelo Plural. A reportagem perguntou como é feita a fiscalização de templos religiosos e quantos estão irregulares na cidade, quantos foram fiscalizados pela AIFU e se havia alguma previsão de fiscalização na igreja evangélica mencionada por Talissa.

Em paralelo, Talissa também responde a um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil. Ela já foi ouvida, acompanhada de advogados e representantes do Fórum de Religiões de Matriz Africanas, e uma audiência de conciliação com a vizinha está prevista para os próximos dias.

 

 

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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