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Julho das Pretas: a pauta racial passa por lideranças negras, como Juliana Mildemberg

Educadora e sindicalista transforma a própria liderança em ferramenta antirracista na capital do Paraná

Julho das Pretas: a pauta racial passa por lideranças negras, como Juliana Mildemberg
Liderança sindical e trabalhadora da educação, Juliana é destaque no Julho das Pretas | Foto: Tami Taketani/Plural.
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Juliana Mildemberg é coordenadora-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc) e tem despontado como uma grande liderança sindical, mas também entre mulheres negras e jovens.

O ingresso no serviço público foi aos 18 anos, quando passou em um concurso público. Tomou posse em 15 de fevereiro de 2011, e começou oficialmente a carreira de professora de educação infantil, em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). O incentivo para fazer o concurso foi a mãe dela. "Ela falou: 'Você vai. Você passa. Simples assim. Eles não vão te chamar agora", lembra.

Enquanto lecionava, Juliana foi conhecendo aos poucos o movimento sindical. Em 2013, durante a “Onda Amarela”, quando mais de 70% da categoria aderiu à paralização para pressionar o Governo Municipal a melhorar as condições de trabalho dos servidores. A mobilização foi encerrada com a promessa de negociação, o que não aconteceu, e isso fez com que em 2014 uma nova greve ocorresse.

Neste contexto de efervescência pela luta de direitos, Juliana se sindicalizou e foi convidada a ir até o Sindicato depois de mostrar sua indignação em cima de um carro de som. Naquele encontro nascia a semente que, mais tarde, floresceria e a transformaria na coordenadora-geral do Sismuc.

Em 2015, Juliana passou a integrar a direção do sindicato e depois disso disputou as eleições em 2018, quando a chapa foi derrotada. Mas isso não foi um fator de desmotivação, ao contrário. Em 2021 ela foi eleita para o primeiro mandato na coordenação-geral do Sismuc e reeleita no pleito seguinte, com chapa única. Para ela, uma demonstração de organização e liderança, já que as diversas categorias que integram o sindicato entenderam que o caminho adotado pela gestão era o correto.

Uma jovem negra em movimento

Há cerca de um mês, quando a ativista Andreia Lima, pré-candidata a deputada estadual pelo PT, lançou um livro editado pelo Instituto Marielle Franco, Juliana compôs a mesa. Durante a conversa, relembrou do próprio caminho e destacou a importância da ocupação de espaços de decisão por mulheres negras.

Ela mesma – que não tinha ligação com sindicato – lembra de ser uma criança tímida, mas que foi transformada pelo magistério. “O que me ensinou foi o magistério, porque dentro do magistério eu aprendi a cobrar o que era justo, o que não era, trabalhando nos CMEIs”, lembra.

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Da sala de aula para o Sindicato. Do Sindicato para o Poder Legislativo – este é o plano de Juliana, que também está pré-candidata à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pelo Partido dos Trabalhadores. Ela também já disputou vaga na Câmara de Curitiba e avalia que é um momento positivo para mulheres negras, apesar da disparidade de representação.

 "É muito importante, principalmente para as mulheres negras, entenderem que esse espaço é possível. Nós nascemos para ocupar esse espaço", afirma. Ela reconhece que o caminho é mais difícil, mas atribui sua chegada ao cargo a um processo coletivo. "Eu não estou aqui porque eu quero. Estou aqui porque tenho um grupo que entende que é necessário que eu esteja neste momento”, diz.

Segundo Juliana, a presença de uma mulher negra na coordenação fortalece a atuação do sindicato tanto internamente quanto nas negociações com a prefeitura de Curitiba. A meta agora é um mandato que leve mais uma mulher preta aos espaços político-partidários, como Giorgia Prates e Carol Dartora, fizeram, por exemplo.

Julho das Pretas

Em meio ao Julho das Pretas, mês voltado para celebrar as mulheres negras, Juliana é uma liderança que também provoca o próprio sindicato a refletir sobre a negritude. Na sexta-feira (24), o Sindicato recebeu Dirléia Aparecida Matias, especialista em metodologia do ensino, e Marielli Meireles de Vasconcelos, ativista da Rede de Mulheres Negras do Paraná e auxiliar de serviços escolares em Curitiba, para uma roda de conversa acerca da importância de uma educação antirracista.

O ato integra a ampla programação da Rede de Mulheres Negras do Paraná (veja aqui outras atividades) e reforça a importância da pluralidade nas lideranças para que temas interseccionais sejam abordados.

 

 

 

 

 

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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Tags: Curitiba

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