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Historiador ficou preso em sala com "câmara secreta" no Solar do Barão durante a ditadura

Elton Barz ficou cinco dias preso em 1978 por pichar um muro pedindo anistia para presos políticos e exilados

Historiador ficou preso em sala com "câmara secreta" no Solar do Barão durante a ditadura
O historiador Elton Barz. Foto: Orlando Kissner/Alep

O historiador Elton Barz, de 62 anos, ficou preso durante cinco dias em 1978 no Solar do Barão na sala onde foi encontrado uma espécie de fosso. O prédio histórico, que pertenceu ao Exército até o fim da década de 1970 e abriga um espaço cultural desde anos 80, está passando por uma reforma. Após a descoberta de uma espécie de câmara coberta com concreto no andar térreo, a Prefeitura de Curitiba suspendeu temporariamente as obras.

Barz tinha 15 anos em 1978 e pichava um muro pedindo anistia para exilados e presos políticos pela ditadura militar quando foi detido pela Polícia do Exército. Foi levado para o quartel do Exército na Rua Riachuelo (onde hoje funciona o Cine Passeio), e dois dias depois foi transferido para o Solar do Barão. Ele reconheceu o local cinco anos depois, quando trabalhava na Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e foi designado para participar de uma reforma do espaço.

"Ali era a antiga estrebaria quando a família do Barão do Serro Azul morava no prédio. Depois disso, o Exército fechou e fez salas", conta o historiador. "Quando fui preso, fui levado para o Cine Passeio. Eles me colocaram em um carro e deram um monte de voltas, depois me levaram para o Solar do Barão, que era um quartel. Sei porque voltei alguns anos depois e reconheci as paredes e a sala".

“Câmara secreta” descoberta no Solar do Barão pode ter servido para torturar presos durante a ditadura
Câmara de concreto foi encontrada durante a reforma do edifício. Solar foi listado por pesquisadora da ditadura militar com um espaço de repressão em Curitiba

Barz disse que não foi torturado e não ouviu relatos de torturas no local. Segundo a historiadora Stella Castanharo, que defendeu tese de doutorado sobre os espaços da ditadura militar em Curitiba, o principal centro de torturas na capital paranaense era o quartel da Praça Rui Barbosa – onde hoje funciona a Rua da Cidadania da Matriz.

"O Solar do Barão era uma espécie de lugar de passagem. O lugar de tortura era o quartel onde está a Rua da Cidadania da Matriz, na Rui Barbosa. E também começaram a transferir para o quartel na frente da Praça Oswaldo Cruz (hoje o Shopping Curitiba", diz Elton Barz.

O Solar do Barão, na Rua Carlos Cavalcanti, no Centro de Curitiba / Foto: Cido Marques/FCC

Para o historiador, a FCC pode ter colocado um tampo de concreto para suportar o peso de uma impressora em pedra. "Ali é o Museu da Gravura, tem as prensas e a impressora em pedra, que é muito pesada. Na época, aproveitaram o fosso". Ele não descarta, no entanto, que haja algum material escondido no local.

Elton Barz foi liberado após sete dias preso. "Chamaram meus pais, eles nem sabiam onde eu estava. Passaram uma descompostura porque eu estava pichando. Depois disso, meu pai me mandou para fora do país", contra Elton Barz, que passou cerca de dois anos na casa de familiares na Holanda. Depois de voltar ao Brasil, Barz se formou em história e trabalhou na FCC. Hoje é professor universitário em Ponta Grossa e dirigente local do PCdoB.

"Não senti uma coisa boa quando voltei à sala anos depois. Quando você tem 15 anos não é fácil. Não me bateram nem me torturaram, mas meu pai me mandou embora do país."
Elton Barz, historiador

O Solar do Barão foi construído em 1880 e pertencia ao produtor de erva-mate Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul. A família viveu no local até 1894. Em 1912 o Solar foi transformado em quartel do Exército. Em 1975, o edifício foi adquirido pela prefeitura de Curitiba e em 1980, após uma reforma, passou a funcionar como espaço cultural. Hoje é sede do Museu da Gravura, do Museu da Fotografia, da Gibiteca de Curitiba e do Centro de Pesquisa Guido Viaro.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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