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Falta de alvará e decepção: conheça a história que levou a leilão o Novo Batel

O desejo de montar uma loja de produtos importados virou trinta anos decepção e disputa judicial

Falta de alvará e decepção: conheça a história que levou a leilão o Novo Batel
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Os curitibanos foram surpreendidos neste início de ano pela notícia de que o Novo Batel, um dos primeiros shoppings de Curitiba, iria a leilão. O Plural conta como o empreendimento chegou a essa situação. É uma história que começou em 1994, quando uma família decidiu empreender abrindo uma loja de produtos importados.

A década de 1990 foi um momento de expansão dos shoppings em Curitiba. A cidade tinha o Shopping Muller, inaugurado em 1983 e o Shopping Omar, aberto em 1987. Mas em meados dos anos 1990, diversos empreendimentos começaram a surgir na cidade, como os Shoppings Curitiba e Crystal, inaugurados em 1996, e o Estação, aberto em 1997.

Nessa leva surgiu também o Shopping Novo Batel, que deveria ser inaugurado no fim de 1994. Foi lá que os autores do processo contra a L. C. Branco Empreendimentos Imobiliários Ltda decidiram abrir uma loja para comercializar produtos da marca Hi Tek Bags.

Segundo os documentos do processo judicial, os novos empresários fizeram empréstimos e sacaram até a poupança do filho para comprar o ponto no novo shopping e reformar a nova loja.

O problema começou quando o shopping abriu, mas as obras de implantação continuaram. Os lojistas abriram as portas, mas o shopping ainda tinha tapumes por toda parte, as escadas rolantes não haviam sido instaladas e várias lojas permaneciam fechadas.

Segundo os autores da ação contra o Novo Batel, o shopping também teria alterado o projeto da construção aprovado junto a prefeitura. Como consequência, a obra teria sido embargada, impedindo os lojistas de conseguir o alvará de funcionamento e, assim, fazer a emissão de notas fiscais.

Sem poder fechar a loja, os autores do processo afirmam ter convivido com graves problemas de estrutura, com elevadores que apresentavam constante falha, a instalação elétrica não estava de acordo com as normas da Copel, o ar condicionado não funcionava, infiltrações e banheiros constantemente interditados.

Trecho do relato apresentado pelos lojistas à Justiça.

Em 1995, os lojistas fizeram um acordo verbal com o administrador do Shopping para pagar apenas a taxa de condomínio do empreendimento enquanto os problemas não fossem resolvidos. Mas a empresa não cumpriu o acordo e protestou os alugueis não quitados.

A ação da OLS PARTICIPAÇÕES, ADMINISTRAÇÃO E INVESTIMENTOS LTDA contra a administradora do Shopping Novo Batel foi ajuizada em 1997 e pedia a rescisão do contrato de locação, a restituição dos valores pagos à administradora e uma indenização pelo lucro não realizado.

Em 2000, a 11a. Vara Cível de Curitiba acatou o pedido de rescisão do contrato e o de restituição dos valores, mas rejeitou o pedido de indenização. A administradora do shopping, porém, não pagou o valor determinado pela Justiça. Isso resultou em uma nova ação ajuizada em 2010 para cobrar o cumprimento da sentença.

Em 2015 uma perícia determinada pela Justiça avaliou em R$7.777.891,73 o valor a ser pago pela L. C. Branco Empreendimentos Imobiliários Ltda à OLS Participações. A discussão sobre o valor real da sentença a e validade da penhora dos bens da L.C. Branco se arrastou por anos na Justiça.

Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça negou o Agravo Interno da L.C. Branco para revisão dos valores. No mesmo ano, o TJ-PR rejeitou o pedido da L.C. Branco para substituir a penhora por carta de fiança. A 11a. Vara Cível de Curitiba determinou então a avaliação dos imóveis penhorados.

Em 2021, o valor homologado da sentença já estava em R$ 15.945.606,87. A L.C. Branco, então, tentou autorização judicial para substituir a penhora do imóvel do shopping por outros imóveis da empresa com a justificativa de que o Hotel White Plaza, instalado no imóvel, seria inaugurado em 2020, conforme noticiado por um veículo de imprensa local. O empreendimento, porém, não tinha alvará de construção.

A discussão acabou em 2025 e o TJ determinou em novembro de 2025 a execução imediata do leilão judicial. O leilão está marcado para  10/02/2026 às 13h pelo valor inicial de R$ 536.455.134,00. Se não for arrematado, o imóvel volta a ser leiloado em 24/02/2026 às 13:00h por R$ 321.873.080,40.

Apesar do valor do imóvel ser superior ao da sentença, a L.C. Branco tem várias outras obrigações judiciais que poderão ser pagas pela venda. Se bem sucedido, o leilão poderá encerrar trinta anos de disputa entre lojistas e o Novo Batel. Mas os problemas judiciais da L.C. Branco continuam.

A empresa, que tem outros empreendimentos em Curitiba, tem 870 processos judiciais em tramitação na Justiça do Paraná, vários dos quais envolvendo dívidas tributárias junto ao município.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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