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Uma grafiteira de Foz do Iguaçu no Meeting of Styles

Após circular por festivais na Indonésia e nas Filipinas, Mavi é selecionada para a edição no Reino Unido

Polvo pintado por Mavi
Polvo pintado por Mavi durante edição do Meeting of Styles na Indonésia, em 2025. (Foto: Divulgação.)
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A grafiteira, muralista e produtora cultural Maria Victória Arruda Gualtieri, a Mavi, foi selecionada para a edição 2026 do Meeting of Styles, no Reino Unido. Em sua terceira participação no circuito, a artista de Foz do Iguaçu retorna ao festival após um ano de circulação por eventos no exterior e no Brasil.

A edição será realizada entre 3 e 5 de julho, em Cardiff, no País de Gales, e reúne cerca de 30 artistas. Com o tema “União”, a programação se orienta pela colaboração e pela criação coletiva.

Em 2025, Mavi participou de edições realizadas na Indonésia e nas Filipinas e integrou festivais brasileiros como o Acre Graffiti, em Rio Branco, o MAUF, em Franca (SP), e o Origraffes, em Serra (ES).

À reportagem, a artista conta que começou a circular com mais frequência por festivais a partir do fim de 2023. A experiência em eventos maiores, segundo ela, passou a orientar as ações que desenvolve na cidade natal. “Participar desses festivais não é só sobre pintar. É sobre trocar com outros artistas, entender como esses encontros funcionam e trazer esse conhecimento para fortalecer a cena em Foz do Iguaçu”, destaca.

Intervenção no território

Mavi desenvolve o Beco dos Sonhos, projeto de intervenções urbanas, e o Domingo do Grafitti, ação periódica que reúne artistas locais em produções coletivas.

Em parceria com o coletivo Rimando no Front, um mutirão de grafite do Beco dos Sonhos, realizado em março na Associação de Moradores do Campus do Iguaçu, reativou o espaço para uso comunitário. A intervenção reuniu artistas da tríplice fronteira e marcou a retomada cultural da área.

Assinatura

Na obra, Mavi mobiliza fauna, imaginação e natureza, sob influência da formação em biologia e do lugar em que vive. Elementos da Mata Atlântica e do entorno do Parque Nacional do Iguaçu atravessam sua produção. A onça cor-de-rosa aparece como marca recorrente.

No exterior, a linguagem se adapta ao contexto local. Nas Filipinas, produziu uma imagem que mistura tigre e onça. Na Indonésia, pintou um polvo após mergulhos no arquipélago, com referências à paisagem marinha.

Falta financiamento público

Desde meados do ano passado, Mavi vive exclusivamente da arte urbana e passou a financiar as viagens ao exterior com recursos do próprio trabalho. Para custeá-las, já recorreu a rifas, inclusive para a ida ao Reino Unido, e a apoio de patrocinadores. “Essas viagens foram pagas com o meu trabalho com o graffiti. Quando aparece um convite internacional, muitas vezes não existe apoio disponível naquele momento. A gente faz como pode”.

De acordo com a artista, o apoio público recebido até aqui se limita a ações institucionais, como cartas de recomendação e divulgação, sem repasse financeiro. Ela explica que editais de mobilidade operam em calendários que não acompanham a dinâmica dos convites internacionais, geralmente feitos com prazos curtos e confirmação imediata, o que dificulta o acesso aos recursos mesmo quando os instrumentos existem. “Os editais existem, mas as datas não batem com os convites. Quando a resposta sai, muitas vezes a viagem já aconteceu”, afirma.

Para Mavi, a ausência de uma política municipal estruturada de apoio financeiro à circulação internacional também afeta outros artistas da cena local. “Tem muita gente produzindo aqui e com potencial para estar nesses espaços, mas sem apoio a circulação acaba dependendo só do esforço de cada um. Precisamos mudar isso”, finaliza.

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