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Audiência sobre redução de danos para usuários de drogas causa revolta da direita na Câmara de Curitiba

Vereador Da Costa pediu cassação de mandato da vereadora Professora Angela por discussão sobre saúde e drogas realizada nesta terça

Audiência sobre redução de danos para usuários de drogas causa revolta da direita na Câmara de Curitiba
Audiência em anexo da Câmara. Foto: Carlos Costa/CMC
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Uma audiência pública realizada na Câmara de Curitiba sobre redução de danos para usuários de drogas causa nesta quarta-feira (6) um protesto coletivos dos vereadores mais à direita da cidade. Não satisfeitos em usar a tribuna para denunciar uma suposta "apologia às drogas", os vereadores deram uma entrevista coletiva sobre o tema e já existe inclusive o protocolo de um pedido de cassação da vereadora Professora Angela (PSol), que organizou a audiência.

A discussão sobre o uso de drogas e modos para minimizar os riscos à saúde dos usuários ocorreu na tarde desta terça no Anexo II da Câmara. Os convidados falavam normalmente até serem interrompidos pelo vereador Da Costa do Perdeu Piá (União), que compareceu indignado ao auditório. Segundo o vereador, um funcionário de seu gabinete foi ao andar do auditório sem saber de nada, "para tomar um cafezinho", e teria se deparado com material de "apologia às drogas".

Os materiais distribuídos na audiência mostravam como usuários de drogas podem reduzir os anos à sua saúde. Por exemplo, dizia um folheto que no caso de algumas drogas psicotrópicas, os riscos são minimizados se o usuário tiver ao lado uma pessoa de confiança. No caso de usuários de crack, ensinava que o uso de cachimbos metálicos pode causar mais danos à saúde, por exemplo.

Em seu pedido de cassação do mandato da vereadora Professora Angela, Da Costa ressaltou o uso dos verbos no imperativo como se isso indicasse uma ordem para quem estava lendo. Isso acontecia em trechos como "Conheça a substância" ou "Use em companhia de confiança". "Se isso não for apologia ao uso de drogas, eu não sei o que é", disse o vereador.

O mal-estar criado pela narrativa da apologia às drogas foi tamanho que o líder do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) na Câmara, vereador Serginho do Posto (PSD), precisou ir à tribuna para dizer que a Prefeitura não teve nada a ver com a audiência pública e que nem sequer participou do evento - o que, aliás, é verdade.

O presidente da Câmara, Tico Kuzma (PSD), também foi à tribuna para dizer que não teve nada com a discussão realizada no anexo e com a audiência pública, e que eventos do gênero podem ser organizados por qualquer vereador, e a realização dentro da Câmara é meramente avalizada pelo plenário.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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