Londrina - Familiares e amigos de jovens mortos pela Polícia Militar realizaram, na tarde deste sábado (7), uma manifestação no campo de futebol do Jardim Felicidade, na zona norte de Londrina. O ato marcou os dois anos da chacina que resultou na morte de seis homens e reuniu celebração religiosa, passeata e cobranças por justiça.
A mobilização começou com uma cerimônia conduzida pelo padre Dirceu Fumagalli e seguiu em caminhada até a casa onde os jovens foram mortos. Apesar de o caso ter ocorrido há dois anos, o inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar as circunstâncias das mortes ainda não foi concluído.
Durante o ato, familiares voltaram a contestar a versão apresentada pela Polícia Militar e relataram o que teria ocorrido no dia da chacina. Viúva de Luiz Guilherme de Oliveira, morto aos 33 anos, Silvana Oliveira lembrou do momento em que a polícia chegou à residência. “Eu estava no sofá da sala com meu neto, que era um bebê de colo, quando a polícia chegou”, contou.

Segundo ela, naquele momento, Luiz Guilherme dormia no quarto, enquanto os outros jovens conversavam na área da casa. “Com a chegada das viaturas, os meninos entraram correndo para dentro”, relatou.
Silvana afirma que os policiais entraram pela sala, a agrediram e a retiraram à força da residência. “Eles me bateram e me levaram para fora de casa”, disse. Já do lado de fora, ouviu os primeiros disparos. “Tenho certeza de que o primeiro tiro foi no quarto. Foi o Luiz Guilherme, que estava dormindo, e levou um tiro na nuca”, afirmou.
A versão da Polícia Militar é diferente. De acordo com a corporação, um dos homens mortos seria morador da zona sul da cidade e estaria no local para ser “julgado” pelos demais em um suposto “tribunal do crime”. Ainda segundo a PM, a mãe desse homem teria acionado a polícia para pedir socorro. Quando as viaturas chegaram, os seis homens teriam reagido armados, o que teria levado os policiais a atirar.
A Polícia Militar também informou ter encontrado drogas dentro da casa. Silvana nega essa versão e acusa os policiais de terem plantado revólveres e entorpecentes no local.

Pedido de justiça
No aniversário de dois anos da morte do filho, Valdelícia de Oliveira, mãe de Luiz Guilherme, resumiu o sentimento das famílias. “Eu espero por justiça”, afirmou.
Além da celebração católica, o ato contou com louvores entoados por evangélicos que participaram da manifestação. Ao final da passeata, os participantes soltaram dezenas de balões em homenagem às vítimas.
Além da família de Luiz Guilherme, participaram do ato os parentes de João Victor dos Santos e Kauan de Oliveira, também mortos na chacina.
A mobilização teve a participação do Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta, que reúne familiares de pessoas mortas pela polícia em Londrina e região e atua na denúncia da violência policial e na cobrança por responsabilização do Estado.