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Aldeia de Campo Largo recebe Grito dos Excluídos

Descentralizar o Grito do Excluídos e levar um ato à Aldeia Kógunh Jamã foi um pedido do Bispo Auxiliar de Curitiba Reginei José Modolo

Aldeia de Campo Largo recebe Grito dos Excluídos
Foto: José Pires
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Neste 7 de setembro, o tradicional Grito dos Excluídos e Excluídas ocupou as ruas de diversas cidades brasileiras. Promovido pela Igreja Católica desde 1995, o evento chega a esta edição como o lema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta diária”. As mobilizações reuniram movimentos populares, pastorais, povos e comunidades tradicionais, juventudes e militantes em defesa da democracia, do meio ambiente e da soberania nacional.

Em Curitiba o Grito realizou atos descentralizados. Pela manhã, duas ações simultâneas aconteceram. Uma na Praça Tiradentes, onde movimentos sociais distribuíram café da manhã para pessoas em situação de rua e outra na Vila Pantanal, no Alto Boqueirão, uma das regiões mais afetadas pela exclusão social e pela falta de políticas públicas na capital.  

À tarde, o Grito dos Excluídos e Excluídas aconteceu na Aldeia Indígena Kógunh Jamã, no antigo Parque do Mate, em Campo Largo, na Região Metropolitana. Lá, dezenas de pessoas participaram do ato que abordou as ameaças aos povos indígenas do Brasil, destacando principalmente retrocessos como a Lei 14.701/2023, mais conhecida como Lei do Marco Temporal.

Padre Lédio Milanez, da Pastoral Indígena, destaca que a realização de um ato na Aldeia teve o objetivo de visibilizar a luta dos povos originários. “O Grito deste ano foi descentralizado justamente para contemplar diferentes grupos excluídos e com isso sensibilizar a sociedade sobre a luta destas pessoas. Neste ato aqui em Campo Largo, estamos ressaltando a necessidade de revogação da chamada Lei do Marco Temporal. Porque é inconstitucional e os direitos dos povos originários são gravemente atacados por ela. Se devêssemos estabelecer um Marco Temporal, ele deveria ser 1.500, quando os não indígenas chegaram no nosso país”, disse.

Descentralizar o Grito do Excluídos e levar um ato à Aldeia Kógunh Jamã foi um pedido do Bispo Auxiliar de Curitiba Reginei José Modolo. “Essa sugestão foi dada pelo Dom Reginei e nós escolhemos fazer um ato com a população em situação de rua no Centro de Curitiba, com a comunidade Pantanal, no Boqueirão e aqui com os indígenas no Parque do Mate. Se o Grito é dos Excluídos e Excluídas precisamos ir até estes grupos e somar com eles para sentir, ouvir e entender as dores, as lutas e as esperanças destes grupos”, destaca Nilson Carlos Lopes, um dos coordenadores do Grito.

Antigo Parque do Mate hoje é símbolo de resistência indígena

Localizado a pouco mais de 30 km do Centro de Curitiba, o antigo Parque do Mate transformou-se em uma aldeia indígena em 2022. No local hoje vivem 38 famílias, a maioria formada por kaingangs vindos de Santa Catarina e do interior do Paraná.

A área de 31 hectares estava abandonada quando foi ocupada pelos indígenas. Hoje eles compõem o “Parque EtnoHistórico do Mate” e fazem a cogestão do espaço com o governo do estado.

Jafe Cassemiro é o cacique da aldeia e explica que a realização de um ato do Grito dos Excluídos e Excluídas no território indígena é muito significativo, principalmente frente ao relacionamento que eles têm com a prefeitura de Campo Largo. “Em diversas ocasiões nós somos excluídos. Hoje, por exemplo, vivemos um episódio que retrata isso. Com antecedência procuramos a prefeitura de Campo Largo solicitando um ônibus para que nossa aldeia pudesse participar do desfile do 7 de Setembro no Centro da cidade. A prefeitura prometeu o ônibus, mas depois voltou atrás. Mas conseguimos uma van com amigos e fomos desfilar, para mostrar à sociedade de Campo Largo que nós estamos aqui, que nós existimos”, desabafa.

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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