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Vale a pena ser PJ? Calculadora compara com a CLT

Salário CLT x faturamento PJ: veja o líquido real, o ponto de equilíbrio e a evolução em 5 anos. Descubra em segundos se a troca compensa

Vale a pena ser PJ? Calculadora compara com a CLT
Centro de Curitiba. Foto: Tami Taketani/Plural

"Te pago 20% a mais, mas você abre um CNPJ." A frase virou rotina em processos seletivos de tecnologia, comunicação, saúde e serviços. A promessa parece boa: sem o desconto do INSS na fonte, sem imposto de renda mordendo o contracheque todo mês, o valor que cai na conta é maior. Mas a pergunta que quase ninguém faz com uma calculadora na mão é simples: quanto a mais, exatamente, uma proposta PJ precisa oferecer para de fato compensar a troca?

A resposta curta é que não existe um número único. Ela depende, e muito, de quanto se ganha.

CLT ou PJ: quanto realmente compensa?

Preencha o salário de uma proposta CLT e o faturamento de uma proposta PJ. A calculadora estima o valor líquido anual de cada uma — já com 13º, férias, FGTS e impostos — e mostra o ponto de equilíbrio.

CLT

Carteira assinada

Benefícios (opcional)
PJ

Pessoa jurídica

Custos e provisões (opcional)

No Anexo III (Fator R) o pró-labore precisa ser ≥ 28% do faturamento. O INSS de 11% incide sobre o pró-labore, limitado ao teto.

Evolução acumulada em 5 anos

Quanto cada contrato acumula ao longo do tempo, com reajuste anual e o rendimento do FGTS somado ao lado CLT.

CLT (líquido + FGTS) PJ digitado (líquido) PJ equivalente à CLT

Valor líquido acumulado (R$) — anos

O lado CLT inclui o saldo do FGTS com rendimento; os valores PJ são o líquido recebido, antes de qualquer investimento. Se o profissional PJ investir o que sobra, o resultado dele melhora. A multa de 40% do FGTS não entra aqui (só é paga em caso de demissão).

Estimativa para fins de comparação. Usa tabelas de INSS e IRRF de 2025 (vigentes em 2026) e do Simples Nacional (Anexos III e V). 13º e férias líquidos são aproximados. Não considera ISS fora do Simples, distribuição de lucros isenta específica, nem particularidades de cada contrato. Consulte um contador antes de decidir.

O piso vai de 4% a mais de 40%

Para chegar ao chamado "ponto de equilíbrio" — o faturamento em que o PJ recebe, líquido, o mesmo que um CLT leva para casa no ano —, é preciso somar tudo o que a carteira assinada entrega além do salário: 13º, férias com o terço constitucional, o depósito mensal de 8% do FGTS e os descontos de INSS e Imposto de Renda que reduzem o líquido. Do outro lado, o PJ paga o imposto do Simples Nacional e os honorários do contador.

Rodando esse cálculo faixa a faixa, com as tabelas vigentes em 2025, o resultado é uma curva que desce:

Salário CLT (bruto) Valor líquido/ano (CLT) Faturamento PJ para empatar Quanto a mais
R$ 1.518 (mínimo) R$ 21.576 R$ 2.179/mês +43,5%
R$ 2.500 R$ 35.273 R$ 3.393/mês +35,7%
R$ 3.000 R$ 41.907 R$ 3.981/mês +32,7%
R$ 5.000 R$ 64.009 R$ 5.941/mês +18,8%
R$ 8.000 R$ 93.906 R$ 8.591/mês +7,4%
R$ 15.000 R$ 173.160 R$ 15.653/mês +4,4%
R$ 20.000 R$ 229.918 R$ 20.980/mês +4,9%

Simulação com Anexo III do Simples, honorários de contador de R$ 250 e sem benefícios adicionais. O FGTS foi contado como valor que pertence ao trabalhador.

O piso — o menor prêmio necessário — fica em torno de 4,4%, e aparece na faixa dos R$ 15 mil. Não é coincidência: é o ponto em que o faturamento anual ainda cabe na primeira faixa do Simples (alíquota de 6%) e, ao mesmo tempo, o Imposto de Renda já corrói uma fatia grande do salário CLT. Acima disso, o percentual volta a subir, porque o faturamento entra em faixas mais caras do Simples.

Na ponta oposta, quem ganha um salário mínimo precisaria faturar mais de 40% a mais como PJ só para empatar. O motivo é aritmético: nessa faixa, o CLT quase não paga imposto, então quase todo o salário é líquido — e ainda ganha 13º, férias e FGTS por cima. É muito difícil de superar.

Por que o número real é sempre maior que esse piso

Aqui está a parte que as propostas costumam esconder: o ponto de equilíbrio é só o começo da conta. Ele mede empate de dinheiro no bolso, mas ignora tudo o que a carteira assinada oferece e que não vem em forma de salário. É o caso da multa de 40% do FGTS paga em uma demissão sem justa causa e do seguro-desemprego, ao qual o PJ não tem direito. Também entram nessa conta as férias e o 13º garantidos por lei — afinal, o PJ que quiser "tirar férias" simplesmente deixa de faturar naquele mês —, além da licença médica, da licença-maternidade e da estabilidade em situações previstas em lei.

Há ainda a questão da previdência, já que o pró-labore mínimo do PJ recolhe pouco para a aposentadoria e o resto fica por conta da disciplina de cada um. Por fim, pesa a imprevisibilidade: o cliente que atrasa, o contrato que não renova, o risco de ficar sem nada de um mês para o outro.

Nada disso entra na tabela acima — e é por isso que contadores e planejadores financeiros costumam recomendar um prêmio bem maior do que o empate matemático. Na prática, para a maioria dos assalariados nas faixas mais comuns (entre R$ 2.000 e R$ 5.000), o piso de segurança para uma troca fazer sentido gira entre 20% e 35% a mais — e sobe se a proposta CLT incluir vale-refeição, plano de saúde ou participação nos lucros, benefícios que também precisariam ser replicados do próprio bolso.

E o tempo joga a favor de quem?

Há ainda um efeito de longo prazo que surpreende. Simulando cinco anos, com reajustes anuais dos dois lados, o PJ que começa exatamente no ponto de equilíbrio tende a abrir uma pequena vantagem com o passar do tempo — não porque ganhe muito mais, mas porque o FGTS rende cerca de 3% ao ano, menos do que os reajustes salariais. A "poupança forçada" da CLT, que parecia uma vantagem, cresce mais devagar que o resto.

A conclusão não é que PJ é melhor ou pior. É que a comparação honesta não cabe em uma frase de proposta. Quem ganha menos precisa exigir muito mais para trocar a segurança da carteira por um CNPJ. Quem ganha mais tem uma margem de manobra maior — desde que aceite abrir mão da rede de proteção.


Faça a conta do seu caso: a calculadora interativa abaixo compara qualquer salário CLT com qualquer proposta PJ, mostra o ponto de equilíbrio e projeta a evolução dos dois contratos em cinco anos.

Metodologia: os cálculos usam as tabelas progressivas de INSS e Imposto de Renda de 2025 (vigentes em 2026) e o Simples Nacional (Anexo III). O ponto de equilíbrio considera 13º, férias mais um terço e FGTS como valor que pertence ao trabalhador, sem benefícios adicionais e com custo de contador de R$ 250 por mês. São estimativas para comparação; cada contrato tem particularidades que só um contador avalia caso a caso.
Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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Tags: emprego Brasil

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