Com o início do Conclave, que se inicia nesta quarta-feira, dia 7 de maio de 2025, cresce a expectativa em torno da escolha do novo Papa, que sucederá um pontificado marcado por reformas pastorais e abertura ao diálogo idealizados pelo Papa Francisco. Cardeais de todo o mundo já se encontram no Vaticano para deliberar, em sigilo absoluto, sobre os rumos da Igreja Católica para o futuro.
Dos sete cardeais brasileiros com direito a voto, quatro já viveram na região de Curitiba possuem vínculos significativos com o Paraná. Suas trajetórias representam diferentes linhas eclesiais, refletindo a diversidade da Igreja no Brasil e no mundo. “Em comum, compartilham experiências pastorais marcadas por diálogo, compromisso social e profunda inserção nas realidades locais, o que os torna figuras relevantes no cenário global da Igreja Católica”, explica a professora Ana Beatriz Dias Pinto, Doutora em Teologia da PUCPR e especialista em assuntos relacionados ao Vaticano.
Conheça algumas curiosidades sobre eles
Dom João Braz de Aviz
Dom João nasceu em Mafra, Santa Catarina e pertence ao clero secular, ou seja, não integra nenhuma congregação religiosa. Tem 78 anos e foi ordenado sacerdote em 1972. Possui vínculos significativos com o estado do Paraná, tendo morado em Apucarana e Borrozópolis. Na vida religiosa, morou no Seminário Maior Rainha dos Apóstolos e estudou no Studium Theologicum de Curitiba. Ao longo de sua trajetória episcopal, exerceu as funções de bispo de Ponta Grossa (PR), arcebispo de Maringá (PR) e posteriormente arcebispo de Brasília (DF).
Em 2011, foi nomeado pelo Papa Bento XVI como prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, no Vaticano, onde atuou por mais de uma década. No ano seguinte, foi criado cardeal. “Dom João é amplamente reconhecido por sua postura conciliadora e diplomática, especialmente em suas interações com ordens religiosas e movimentos – como o dos Focolares, e participará do segundo conclave de sua vida, após ter integrado o de 2013,” explica a teóloga.
Dom Odilo Pedro Scherer
Dom Odilo nasceu em Cerro Largo, Rio Grande do Sul, tem 75 anos, e é membro do clero secular. Possui vínculos relevantes com o estado do Paraná, tendo estudado no Studium Theologicum afiliado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba e morado no Seminário Rainha dos Apóstolos. Atuou como professor de Filosofia e Teologia em Toledo e Cascavel, contribuindo para a formação de agentes pastorais e seminaristas na região.
Sua ordenação episcopal ocorreu em 2001, como bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Em 2007, tornou-se arcebispo metropolitano de São Paulo e foi elevado ao cardinalato pelo Papa Bento XVI no mesmo ano. “No Conclave de 2013, foi amplamente mencionado como um dos papáveis, sendo considerado um nome de equilíbrio entre os setores mais conservadores e os mais progressistas da Igreja. É uma das figuras mais influentes da Igreja no Brasil contemporâneo, com forte presença institucional e pastoral devido sua vasta experiência na capital paulista”, explica a professora Ana Beatriz.
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Dom Leonardo é natural de Forquilhinha, Santa Catarina, e tem 74 anos. Ele pertence à Ordem dos Frades Menores (OFM), sendo, portanto, um frade franciscano. Com uma sólida formação pedagógica, assumiu trabalhos na área da educação, compondo os quadros de professores das suas casas de formação.
De 1995 a 2003, viveu na Europa, onde estudou e trabalhou. De volta ao Brasil, foi nomeado vigário da paróquia do Senhor Bom Jesus dos Perdões, localizada na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade de Curitiba. Também lecionou Filosofia na Faculdade São Boaventura em Campo Largo.
Em 2005, foi nomeado bispo pelo Papa João Paulo II. Em 2019, assumiu a Arquidiocese de Manaus e, em 2022, foi criado cardeal pelo Papa Francisco, tornando-se o primeiro cardeal da região amazônica. “Dom Leonardo é conhecido por seu compromisso com a ecologia integral, a defesa dos povos indígenas e a promoção de uma Igreja sinodal e encarnada nas realidades periféricas. Entre os sete cardeais brasileiros que participarão do Conclave de 2025, é considerado por especialistas um dos que mais representa a linha pastoral de Francisco e, por isso, tem sido apontado como um nome forte na eleição, caso os cardeais optem por uma continuidade do pontificado de Francisco”, explica.
Dom Jaime Spengler
Dom Jaime Spengler (OFM) nasceu em Gaspar, em 1960. É um frei franciscano e cardeal brasileiro. Durante sua formação religiosa, nos anos 80, cursou filosofia no Instituto Filosófico São Boaventura de Campo Largo, vivendo na Região Metropolitana de Curitiba.
De 2000 a 2003 foi vice-reitor e professor do Instituto Filosófico São Boaventura, na cidade de Campo Largo, no Paraná e, depois, superior local e vigário da Paróquia Bom Jesus dos Perdões, de Curitiba, de 2004 a 2006. Em 2010, Dom Jaime assumiu como guardião da Fraternidade de Bom Jesus dos Perdões, além de ser o vice-presidente da Associação Franciscana de Ensino Bom Jesus de Campo Largo e trabalhar como professor no curso de filosofia.
Em 2013 foi nomeado arcebispo metropolitano de Porto Alegre, e desde 2023 é presidente para o quadriênio 2023–2027 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). Foi criado cardeal pelo Papa Francisco em 2024. “Dom Jaime tem funções estratégicas no Brasil e na América Latina, sendo um nome muito relevante ao pontificado, com grande capacidade administrativa e pastoral”, assinala a especialista.
Apesar de termos fortes candidatos, a teóloga explica que o conclave é totalmente imprevisível: “Será somente após as congregações preliminares e muito diálogo que os cardeais reunidos na Capela Sistina poderão se conhecer melhor, alinhar expectativas e refletir sobre o perfil que desejam para o futuro da Igreja”, assinala. Não é de se espantar que, nas primeiras votações, tenhamos fumaça preta, mas isto é motivo de que se está discutindo, avaliando e amadurecendo um nome. “Naturalmente, alguém irá se destacar, e a expectativa é de que entre 48 e 72 horas do início das votações alguém seja eleito. Ao menos esta foi a tendência nos últimos conclaves”, recorda a teóloga.
“Além dos quatro cardeais que já passaram por Curitiba, ainda temos outros importantes representantes brasileiros em Roma. São eles: Dom Orani João Tempesta, do Rio de Janeiro, Dom Sérgio da Rocha, de Salvador e Dom Paulo Cezar Costa, de Brasília. Acompanha a comitiva Dom Raymundo Damasceno Assis (88 anos), que em virtude da idade, não tem direito à voto”, conclui a professora Ana Beatriz Dias Pinto.