IV
Aos poucos ele juntou
A poesia, o dia, a noite
Em sua áurea própria
Que aflora em seu mundo.
A cor dos seus cabelos
Ao movimento do vento
Me leva para antes
E para o depois de mim.
Lucca e Eu, tem sabor
De amor, tem o cheiro
Límpido da vida, o acalanto
Toque do que nos pertence.
Olho o filho meu
Como olho o mar.
Espelho do céu
Reflexo do meu amar!
Aqui sempre estive
Para a vida servir.
Olhá-la com encanto
Mesmos os desencantos.
Assim serei, assim será:
Um deixar e um levar;
Um apertar e um soltar
A vida, deixada e vivida.
Um dia, qualquer dia
Que haverá, nós iremos
Caminhar, olhar o lagamar
Ao caminho do nosso ser.
Iremos à nossa ilha,
Que nos separa do mundo,
Para o mundo em que cada
Um de nós criamos.
Vemos o entardecer
Sem se entristecer.
Adoramos as estrelas
‘Que brilham, pois, alta vivem’.