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Vídeo de Ratinho como jedi mescla culto stalinista à personalidade com infantilização da política

Ainda que todas as conquistas apresentadas no vídeo fossem todas verdadeiras, a maneira de apresentar seria tola. Uma mistura de culto à personalidade stalinista com infantilização da política baseada em filmes hollywoodianos

Vídeo de Ratinho como jedi mescla culto stalinista à personalidade com infantilização da política
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Em uma postagem nas redes sociais feita nesta segunda-feira (29), o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), se compara a um guerreiro jedi, da saga "Star Wars". Produzido por inteligência artificial, o vídeo mostra o governador no papel de Obi Wan Kenobi, enfrentando com um sabre de luz vários soldados do Império.

Na armadura de cada soldado, uma inscrição mostra o que Ratinho estaria combatendo: coisas como "crime", "mordomias" e "contas no vermelho", por exemplo. A legenda afirma que "o que deu certo aqui, dará certo no Brasil", o que deixa claro que a postagem é uma ferramenta da pré-campanha de Ratinho para a Presidência.

Além do gosto duvidoso da peça de propaganda, a postagem infantiliza discussões sérias que o país precisa fazer e coloca mais uma vez um político como "salvador da pátria", papel já reivindicado por outros nomes da direita populista que ajudaram a afundar o país ao longo das últimas décadas. Aliás, dessa vez a ideia é um "salvador da galáxia", ou coisa que o valha.

Ainda que todas as conquistas apresentadas no vídeo fossem todas verdadeiras, a maneira de apresentar seria tola. Uma mistura de culto à personalidade stalinista com infantilização da política baseada em filmes hollywoodianos (não é de estranhar que as viagens de férias do governador sejam sempre para a Disney, e não para um lugar com museus).

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Mas além de tudo, não se trata de verdades. A taxa de desemprego caiu no estado não por políticas locais, mas porque o governo federal derrubou o desemprego no país todo - embora Ratinho, alinhado a Jair Bolsonaro (PL), siga criticando o atual governo (que baixou a taxa para 5,8%) e elogiando o ex-presidente (que manteve o desemprego perto dos 10%).

O combate mostrado por primeiro no vídeo, contra as "contas no vermelho", nunca existiu. Por mais que se possa criticar os antecessores de Ratinho, ele recebeu os cofres com dinheiro, e não no vermelho.

E, pior, o método para melhorar as contas públicas usado na atual gestão foi devastador para o estado. Por um lado, Ratinho já avisou que nem a inflação para o funcionalismo reporá neste ano. Por outro, torrou quase todas as companhias públicas construídas ao longo de décadas por seus antecessores e pelo povo paranaense.

Seria mais verdadeiro se o jedi do vídeo aparecesse na cena enfiando seu sabre de luz na Copel, na Copel Telecom, na Compagas e se preparando para fazer o mesmo com a Celepar.

Aliás, quantas privatizações Ratinho pretende fazer caso seja eleito presidente? A Petrobras faz parte disso? Essa sim é uma discussão que deveria ser feita de modo claro e adulto - sem menções a heróis de planetas fictícios. Afinal, aqui, o governador se elegeu prometendo jamais vender a Copel, e veja só o que aconteceu...

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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