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Vanda de Assis pede para MPF investigar vereadora do PL por xenofobia

Tathiana Guzella (PL) sugeriu que parlamentar do PT volte para o Ceará e disse que ela veio "encher o saco" em Curitiba

Vanda de Assis pede para MPF investigar vereadora do PL por xenofobia
A vereadora Vanda de Assis / Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

A vereadora Vanda de Assis (PT) solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) a apuração de possível crime de xenofobia cometido pela vereadora Tathiana Guzella (PL) durante a sessão da Câmara de Curitiba na manhã desta quarta-feira (5 de agosto). A parlamentar do PL disse que Vanda nasceu no Ceará e veio “encher o saco aqui” e sugeriu que ela deveria voltar para seu estado de origem.

A fala repercutiu nas redes sociais. Na representação protocolada no MPF, os advogados de Vanda de Assis anexaram comentários de apoio à declaração – o que pode indicar, como mostrou o Plural mais cedo, que a falta de Tathiana Guzella a ajudará a ganhar ganhar votos entre o eleitorado de extrema direita.

Comentários de apoio à fala: eleitorado garantido (Reprodução)

A fala ocorreu durante o debate sobre o projeto de lei apresentado pelo vereador João Bettega (PL) que cria um cadastro municipal com dados de pessoas em situação de rua. Vanda de Assis, que é assistente social, argumentou que a iniciativa não vai resolver o problema e disse que o trabalho com pessoas nessa situação deve ser feito por profissionais da área de assistência.

Guzella pediu um aparte e passou a agir de forma preconceituosa. “Vereadora, a senhora é de Campos Sales, Ceará?”, questionou a parlamentar do PL. “Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT, porque a senhora não volta para o Ceará? A senhora nasceu lá, mas vem encher o saco aqui".

Tathiana Guzella é delegada da Polícia Civil, como seu marido, o deputado estadual Tito Barichello (PL), que chama a si mesmo de "Delegado Xerifão". Os dois nasceram em Caçador (SC).

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Em março de 2024, a Corregedoria da Polícia Civil anunciou que investigaria uma falsa operação policial conduzida por Barichello Tathiana Guzella. Eles divulgaram nas redes sociais o cumprimento de um mandado de prisão por tentativa de homicídio contra um advogado. Barichello já estava licenciado do cargo de delegado e Tathiana Guzella trabalhava no gabinete do deputado federal Felipe Francischini (União Brasil, hoje no Podemos). Entrevistado pela RIC TV, Barichello mudou a versão e disse que eles decidiram ir ao local porque "não são covardes" e que "chamariam a polícia" caso encontrassem o suspeito.

Xenofobia é crime

Em texto publicado em agosto de 2025, a Defensoria Pública do Estado do Ceará informou que, segundo o Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), as denúncias de xenofobia aumentaram 874% no país entre 2021 e 2022. De acordo com a organização ONG SaferNet, entre 2022 e 2023 o crescimento dos casos de xenofobia em ambiente virtual foi de 252,25%.

"A xenofobia é crime de racismo pela legislação brasileira e pode resultar em penas severas para os responsáveis. De acordo com a Lei nº 9.459/97, o crime leva a pena de reclusão de um a três anos e multa. Quando praticada na internet, a pena pode chegar a cinco anos de reclusão. Isso significa que qualquer ato de discriminação ou preconceito contra pessoas de determinadas regiões, estados ou países pode ser denunciado e punido,"
Defensoria Pública do Estado do Ceará

Vereadora diz que fala foi "retirada do contexto"

Em nota emitida na tarde desta quarta, Tathiana Guzella disse que sua fala foi interrompida antes da conclusão do raciocínio, "circunstância que impediu a conclusão de seu pensamento e acabou por retirar sua manifestação do contexto em que estava sendo proferido".

Segundo a parlamentar, o pronunciamento "integrava um debate eminentemente político e ideológico acerca das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da população em situação de rua".

Ela afirmou que Vanda de Assis vem de um Estado governado "por sucessivas administrações alinhadas ao campo político da esquerda" e que o objetivo era "estabelecer uma crítica aos resultados das políticas públicas implementadas por essas administrações, especialmente diante do expressivo crescimento da população em situação de rua registrado naquele período, e não fazer qualquer referência depreciativa ao Estado, ao povo cearense ou à população nordestina".

Tathiana Guzella negou xenofobia e disse que "registrou boletim de ocorrência em face da Vereadora Vanda de Assis pela prática de crime contra a honra".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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