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Tornozeleira eletrônica e possível prisão de Bolsonaro colocam pressão sobre aliados como Ratinho Jr.

Ex-presidente, à beira da prisão, passa a ser um constrangimento para aliados políticos em todos os estados

Tornozeleira eletrônica e possível prisão de Bolsonaro colocam pressão sobre aliados como Ratinho Jr.
Foto: Geraldo Bubniak/AEN
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Jair Bolsonaro (PL) está cada vez mais perto da cadeia. Agora, além de réu em um julgamento que tem tudo para terminar em condenação, dada a solidez das provas, o ex-presidente terá de usar tornozeleira eletrônica. Isso tem repercussões não apenas nas eleições nacionais do ano que vem, como também na política dos estados - candidatos que até agora, por credo ou conveniência, se apresentavam como "bolsonaristas" terão de decidir o que fazer.

No Paraná, estado que deu 62% dos votos para Bolsonaro em 2022, a questão é premente, acima de tudo, para o governador Ratinho Jr. (PSD). Durante os quatro anos de seu primeiro mandato, Ratinho conviveu em simbiose perfeita com o então presidente. Elogiavam-se mutuamente e jogavam juntos com intimidade, O pai do governador defendia o presidente em seu programa e o filho fez campanha com gosto pela sua reeleição.

Agora, Ratinho se põe como possível alternativa a Lula para 2026. Continuará defendendo o "legado" do ex-presidente? Há pistas de que não. Nos últimos tempos, Ratinho se calou sobre os revezes do ex-presidente, enquanto outros pré-candidatos, como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), fizeram questão de defendê-lo.

Já quando entregou o título de cidadania honorária a Bolsonaro, antes de grande parte da trama do golpe ser revelada, Ratinho mostrava um certo distanciamento, como se estivesse, nas suas palavras, sendo leal a quem tinha sido leal com ele, mas só. Como se estivesse às vésperas do enterro de alguém que, em outros tempos, tivesse sido importante para ele, nada mais.

Ratinho, porém, só tem alguma chance de ser presidenciável de fato se conseguir se mostrar viável. E para isso depende dos votos bolsonaristas no estado e fora dele. O que sai mais barato para o governador a essa hora? Defender Bolsonaro não parece uma opção para ele, que não quer parecer um radical (embora muitas vezes o seja). O mais provável é um discurso anódino que defenda parte das políticas do capitão, sem ofendê-lo, mas sem também que pareça que Ratinho é um mero seguidor de seus passos.

Governo

Na disputa pelo governo do Paraná, no ano que vem, a questão também tem importância. Sergio Moro (União), líder nas pesquisas, foi ministro de Bolsonaro. Tem a seu favor, no caso de prisão, o fato de ter saído atirando e de ter denunciado exatamente o tipo de conduta que leva hoje o ex-presidente a ser réu: colocar a si mesmo e à sua família acima do Estado e das regras democráticas.

Moro, porém, tem um problema inverso. Agora que o ex-chefe e posteriormente algoz está à beira de cair, tem de se ver com os eleitores que ainda veem no capitão um bom homem - e, sim, ainda há muitos desses no estado que ele pretende governar. Chutará Moro o ex-presidente preso? Tentará também um discurso conciliatório?

Para quem vier do outro lado, a questão é também delicada. Alexandre Curi e Guto Silva, que disputam a indicação do PSD de Ratinho, provavelmente seguirão a dica do governador. E devem partir para o discurso de que a hora não ;e de briga nem de polarização, e sim de "resolver problemas".

Quem teria tudo para ganhar com isso é a esquerda. Mas até o momento, não há qualquer indício de uma candidatura viável no Paraná vinda do PT ou de partidos aliados. O que, convenhamos, só facilita a vida dos "ex" (e nem tão ex assim) bolsonaristas.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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