O ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo) fez um vídeo nas redes sociais afirmando acreditar que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter tentado abrir a tornozeleira eletrônica apenas para ver se havia uma escuta no aparelho. "Já pensou você estar em casa com a tua esposa, os teus filhos, a família, o tempo todo imaginando que está sendo ouvido, até nos momentos mais íntimos com a tua esposa."
No vídeo, depois de mostrar a capa da tornozeleira cheia de furos feitos supostamente com um ferro de solda, Deltan disse que aparentemente o ex-presidente estaria apenas fazendo uma investigação, já que teria ficado "muito famosa" a teoria de que haveria uma escuta no equipamento. A "prova" de que a teoria poderia fazer sentido, apresentada por Deltan, é um vídeo do advogado Jeffrey Chiquini, também do Partido Novo, expondo a tese.
"Isso me parece muito mais compatível com a ideia que ele estava na verdade investigando, sondando se havia uma escuta na tornozeleira", diz no vídeo o ex-procurador. "Se ele quisesse fugir me parece que bastava passar um alicate na fechadura, como fizeram vários presos do 8 de janeiro", afirmou.
A postura de Deltan em relação a Bolsonaro vem se mostrando bem diferente da quele ele adotava quando chefiou a equipe de procuradores da Lava Jato. Na época, Dallagnol ficou conhecido por denunciar e pedir a prisão de pessoas - incluindo o ex-presidente Lula - mesmo com indícios muito frágeis de crime.
O ponto mais conhecido dessa estratégia foi um slide em que Deltan elencava como "provas" contra Lula 14 pontos que não pareciam fazer sentido algum. Mais tarde, além de ter o processo contra Lula anulado, Deltan foi condenado a indenizar o petista, que voltou à Presidência da República pelas urnas em 2023.