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Senado convoca empresário curitibano para depor na CPMI do INSS

Um dos maiores doadores da campanha de Ratinho, Luciano Fracaro deverá ser ouvido após reabertura dos trabalhos da comissão

Senado convoca empresário curitibano para depor na CPMI do INSS
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No próximo mês de fevereiro, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS deve retomar os trabalhos e dezenas de pessoas serão ouvidas na condição de testemunhas. Uma delas será o empresário de Curitiba Luciano Vinícius Fracaro. Sua convocação foi aprovada durante sessão do colegiado em outubro de 2025. 

Natural de Curitiba, Fracaro passou a ocupar posição central nas investigações por ser apontado como um dos principais articuladores de esquemas que teriam lesado aposentados em diversas regiões do país.

O empresário é Proprietário do grupo Suda — conglomerado que reúne seguradora, financeira e clubes de benefícios - e já foi condenado por organização criminosa e responde a ações que denunciam descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Em 2023, recebeu pena de três anos, convertida em medidas alternativas. No ano seguinte, empresas do grupo foram condenadas ao pagamento de R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos.

Sua convocação foi feita por meio de dois requerimentos, um do senador Izalci Lucas (PL-DF) e outro do deputado Paulo Pimenta (PL-RS). De acordo com parlamentares, a estrutura societária das empresas ligadas a Fracaro apresenta sobreposição de sócios, vínculos familiares e endereços comuns, o que, na avaliação da CPMI, pode ter sido planejado para dificultar a responsabilização jurídica e diluir eventuais culpas. Enquanto isso, o empresário é descrito como detentor de patrimônio milionário, em contraste com a situação financeira das vítimas das supostas fraudes.

Suspeitas graves

As suspeitas ultrapassam o campo das irregularidades administrativas e comerciais. O requerimento cita uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de São Paulo que já detalhou práticas consideradas ilícitas e violações ao Código de Defesa do Consumidor. Além disso, pesa contra o empresário uma condenação criminal proferida em setembro de 2025, quando Fracaro foi considerado culpado por integrar uma organização criminosa voltada à fraude de benefícios previdenciários.

Na justificativa do pedido de convocação, o senador Izalci destaca que Fracaro figura como o epicentro de um sofisticado e predatório conglomerado empresarial – composto por entidades como Sudacred, Sudaseg, Sudaclube e Sudamérica Vida Corretora de Seguros – cuja atuação sistemática tem resultado na espoliação de milhares de aposentados e pensionistas do INSS. “Relatórios de órgãos de defesa do consumidor, como o Procon-SP, e plataformas de reclamações privadas, que acumulam mais de 40.000 queixas, revelam um modus operandi industrial, caracterizado pelo assédio consumerista agressivo, pela ausência de transparência e pela imposição de descontos indevidos”.

Vida de luxo

Apesar das pendências judiciais, o empresário ostenta alto padrão de vida, exibido em redes sociais, com veículos de luxo, jato particular e embarcação de grande porte. No campo institucional, o convênio da Sudacred com o INSS foi encerrado após denúncias, enquanto o Banco Central endureceu regras sobre esse tipo de operação.

O histórico do grupo Suda remonta a uma pequena corretora de seguros e a um clube de benefícios, posteriormente rebatizados como Sudavida e Sudaclub, que passaram a acumular milhares de reclamações por descontos indevidos. Em 2018, o conglomerado ampliou suas atividades com a criação da seguradora Sudaseg.

Doação de campanha

Luciano Fracaro é o segundo maior doador para a campanha à reeleição do governador Ratinho Jr. (PSD) em 2022. Com uma doação R$ 300 mil ele ficou atrás apenas do apresentador Ratinho que doou à campanha do filho mais de R$ 1,8 milhões.

Sobre as fraudes contra aposentados

A CPMI do INSS investiga um esquema descoberto pela Polícia Federal que funcionava com aparência de legalidade. As associações obtinham do INSS um Acordo de Cooperação Técnica (ACT), que lhes permitia descontar mensalidades de filiados diretamente na folha de pagamento dos beneficiários. A ideia original era nobre — fortalecer entidades representativas. Mas, durante o governo Bolsonaro, o sistema virou um paraíso para oportunistas. Entre 2019 e 2022, uma rede de entidades fantasmas passou a usar assinaturas falsificadas, autorizações digitais forjadas e cadastros automatizados para filiar, sem consentimento, milhões de aposentados. Os valores, transferidos automaticamente, chegavam às contas das próprias empresas dos dirigentes dessas associações — que se apresentavam como “empreendedores” e “defensores da inovação”.

A CPMI instalada em agosto de 2025 já obteve provas de que as quatro principais associações envolvidas — Amar Brasil Clube de Benefícios, Masterprev, ANDAPP e AASAP — movimentaram cerca de R$ 700 milhões, parte desviada diretamente para contas particulares e offshores.

O Plural entrou em contato com o Grupo Suda pedindo um posicionamento sobre as denúncias trazidas nesta reportagem. O Grupo respondeu com a seguinte nota:

“Em resposta as solicitações realizadas no que se refere à convocação do senhor Luciano Vinicius Fracaro na CPMI do INSS, ressaltamos que o senhor Luciano, bem como suas empresas operam de acordo com as regulamentações legais e infralegais, seguindo as resoluções das autoridades administrativas que as regem (por exemplo, Banco Central do Brasil e SUSEP).

Ademais, cumpre esclarecer que não há, nem nunca houve qualquer vínculo contratual de Luciano e suas empresas junto ao INSS, sendo irrazoável a ilação desta situação junto a este grupo empresarial, conforme já esclarecido em nota”.

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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