Pular para o conteúdo

Ratinho tinha três candidatos ao governo. Agora não tem nenhum

Dentro do PSD, o que se diz é que a decisão do grupo tem de sair até o fim da semana, antes do fim do prazo para mudanças de partido e desincompatibilizações

Ratinho tinha três candidatos ao governo. Agora não tem nenhum
Ratinho Jr, governador do Paraná. Foto: Tami Taketani/Plural

O grupo do governador Ratinho Jr (PSD) chega às vésperas da data limite para renúncia de quem pretende disputar as eleições em outubro sem saber ainda quem apresentará como candidato à sucessão no estado. Erros na articulação e problemas com a candidatura favorecida por Ratinho levaram o PSD e os partidos aliados a um impasse que precisa ser resolvido às pressas.

Ratinho anunciou nesta semana que desistiu de disputar a Presidência. Uma das explicações aventadas para a decisão é justamente a situação no estado: o governador não conseguiu criar um ambiente de tranquilidade em seu grupo político, nem viabilizar Guto Silva (PSD), seu secretário das Cidades, que todos sabiam ser seu favorito para a sucessão.

Guto, um deputado estadual de Pato Branco, jamais disputou uma eleição majoritária e vem apresentando índices muito baixos de intenção de voto. Desconhecido, precisaria de uma anúncio claro de Ratinho informando que ele era o candidato. O anúncio, porém, nunca veio, e Guto continuou patinando na casa de um dígito em todas as pesquisas.

Por outro lado, a preferência de Ratinho por Guto afastou outros nomes fortes do PSD. Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato com maior cacife eleitoral da legenda, filiou-se ao MDB antes que o prazo para mudança de partidos acabasse. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ameaçou sair também do PSD para ser candidato pelo Republicanos.

Ao desistir da campanha presidencial, Ratinho passou a lidar com a urgência de decidir em quem apostará para a sucessão. "Eles estão completamente perdidos", diz um aliado, comentando as atitudes aparentemente aleatórias e incoerentes que passaram a ser vistas no PSD nos últimos dias.

Depois de manter Greca e Curi afastados e em banho-maria, Ratinho agora tenta atraí-los de volta, mas novamente sem oferecer a candidatura ao governo. Segundo gente ligada ao governador, ele não confia na lealdade de Greca, que tem vida política própria, e vê o escândalo dos Diários Secretos, em que Alexandre Curi apareceu com destaque, como um obstáculo que inviabiliza a candidatura do deputado.

Guto Silva, por sua vez, também teria sido escanteado. "Ele subiu no telhado. Todo mundo está vendo que não tem a menor condição de ser ele o candidato", afirma um observador entrevistado pela reportagem.

Do nada, surgiu nos últimos dias a hipótese de Eduardo Pimentel, atual prefeito de Curitiba, e também filiado ao PSD, renunciar e ser o candidato do partido ao Governo. Enquanto os outros tiveram três anos e meio para decidir sobre seu caminho, porém, Eduardo teria de dar sua resposta em uma semana - o prazo para que ele se desincompatibilize do mandato acaba no dia 4 de abril.

Dentro do PSD, o que se diz é que a decisão do grupo tem de sair até o fim da semana, antes do fim do prazo para mudanças de partido e desincompatibilizações. Até lá, Ratinho se concentra em fazer reuniões com os principais nomes do partido e de legendas aliadas para tentar resolver quem terá, enfim, o seu apoio.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

Todos os artigos

Mais em Política no Paraná

Ver todos

Mais de Rogerio Galindo

Ver todos

De nossos parceiros