O grupo do governador Ratinho Jr (PSD) chega às vésperas da data limite para renúncia de quem pretende disputar as eleições em outubro sem saber ainda quem apresentará como candidato à sucessão no estado. Erros na articulação e problemas com a candidatura favorecida por Ratinho levaram o PSD e os partidos aliados a um impasse que precisa ser resolvido às pressas.
Ratinho anunciou nesta semana que desistiu de disputar a Presidência. Uma das explicações aventadas para a decisão é justamente a situação no estado: o governador não conseguiu criar um ambiente de tranquilidade em seu grupo político, nem viabilizar Guto Silva (PSD), seu secretário das Cidades, que todos sabiam ser seu favorito para a sucessão.
Guto, um deputado estadual de Pato Branco, jamais disputou uma eleição majoritária e vem apresentando índices muito baixos de intenção de voto. Desconhecido, precisaria de uma anúncio claro de Ratinho informando que ele era o candidato. O anúncio, porém, nunca veio, e Guto continuou patinando na casa de um dígito em todas as pesquisas.
Por outro lado, a preferência de Ratinho por Guto afastou outros nomes fortes do PSD. Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato com maior cacife eleitoral da legenda, filiou-se ao MDB antes que o prazo para mudança de partidos acabasse. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, ameaçou sair também do PSD para ser candidato pelo Republicanos.
Ao desistir da campanha presidencial, Ratinho passou a lidar com a urgência de decidir em quem apostará para a sucessão. "Eles estão completamente perdidos", diz um aliado, comentando as atitudes aparentemente aleatórias e incoerentes que passaram a ser vistas no PSD nos últimos dias.
Depois de manter Greca e Curi afastados e em banho-maria, Ratinho agora tenta atraí-los de volta, mas novamente sem oferecer a candidatura ao governo. Segundo gente ligada ao governador, ele não confia na lealdade de Greca, que tem vida política própria, e vê o escândalo dos Diários Secretos, em que Alexandre Curi apareceu com destaque, como um obstáculo que inviabiliza a candidatura do deputado.
Guto Silva, por sua vez, também teria sido escanteado. "Ele subiu no telhado. Todo mundo está vendo que não tem a menor condição de ser ele o candidato", afirma um observador entrevistado pela reportagem.
Do nada, surgiu nos últimos dias a hipótese de Eduardo Pimentel, atual prefeito de Curitiba, e também filiado ao PSD, renunciar e ser o candidato do partido ao Governo. Enquanto os outros tiveram três anos e meio para decidir sobre seu caminho, porém, Eduardo teria de dar sua resposta em uma semana - o prazo para que ele se desincompatibilize do mandato acaba no dia 4 de abril.
Dentro do PSD, o que se diz é que a decisão do grupo tem de sair até o fim da semana, antes do fim do prazo para mudanças de partido e desincompatibilizações. Até lá, Ratinho se concentra em fazer reuniões com os principais nomes do partido e de legendas aliadas para tentar resolver quem terá, enfim, o seu apoio.