A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) afirmou nesta terça-feira (5) que não considera o Paraná necessariamente um estado conservador, e que vê chances de uma vitória de sua coalizão nas eleições de outubro. A declaração foi feita durante uma entrevista ao Plural, a primeira de uma série de conversas que o jornal realizará com os principais pré-candidatos ao Senado pelo estado.
"Eu não parto do pressuposto de que o Paraná é um estado conservador e ponto", disse a deputada, ex-presidente nacional do PT. "Nenhum estado conservador elegeria o [Roberto] Requião governador três vezes, não me elegeria senadora", disse ela, se referindo à sua eleição para o Senado em 2010.
Gleisi faz parte de uma coalizão liderada por PT e PDT que tem Requião Filho (PDT) como candidato ao Governo do Paraná. Segundo a deputada, o grupo, que ainda inclui PV, PSOL, PSB, Rede e outras legendas, deve lançar um segundo nome ao Senado, que ainda não está definido.
Messias e o STF
Na entrevista, Gleisi disse que a reprovação do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, decidida pelo Senado na semana passada, foi uma derrota "não para o presidente Lula, mas para o rito democrático". "O Bolsonarinho, como diz o [Fernando] Haddad em relação ao Flavio Bolsonaro, estava lá articulando", disse a deputada, afirmando que os interesses do PL ao derrubar a indicação de Messias eram políticos e eleitorais.
De acordo com Gleisi, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), principal articulador da derrota de Messias, precisa agora "se posicionar", definindo de qual lado estará na eleição de outubro. Após o que o governo Lula considerou como uma traição, Alcolumbre é visto hoje mais como inimigo do que como aliado pelo PT. "Não podemos ir para a eleição com o inimigo dentro de casa", disse a deputada.
Rumo à eleição
Gleisi é até o momento a principal pré-candidata de esquerda ao Senado pelo Paraná, numa disputa que tem muitos nomes fortes à direita. A aposta do PT é de que a ex-ministra, bastante próxima a Lula, pode impedir que o estado eleja dois senadores conservadores em outubro.
A deputada, que começou na política estudantil, foi candidata ao Senado pela primeira vez em 2006, depois de ser secretária estadual em Mato Grosso do Sul e secretária municipal em Londrina. Terminou sua primeira eleição ao Senado em segundo lugar, atrás apenas de Alvaro Dias (hoje no MDB).
Em 2008, foi candidata à Prefeitura de Curitiba, terminando também em segundo lugar, atrás de Beto Richa (PSDB). Em 2010, elegeu-se para o Senado e, meses depois, assumiu a Casa Civil no ministério de Dilma Rousseff. Em 2018 e 2022 se elegeu como deputada federal, sempre entre as mais votadas do estado. Foi ministra do atual governo Lula na Secretaria de Relações Institucionais.
A conversa com o jornalista Rogerio Galindo está disponível na íntegra no canal do Plural no YouTube.