O ator Wagner Moura não é o único brasileiro incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo (TIME 100) em 2026. Dois pesquisadores brasileiros também figuram na lista, divulgada hoje pela publicação: a agrônoma e microbiologista Mariangela Hungria e o cientista Luciano Moreira. Mariangela atua como pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desde 1982; a partir de 1991, na Embrapa Soja, em Londrina. Em 2025 ela recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação (Word Food Prize), considerado o Nobel da Agricultura.
"É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos", declarou a pesquisadora após a receber a notícia da inclusão na lista da TIME.
Para Mariangela, o reconhecimento reflete uma mudança global com foco na valorização de práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis. "Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única", disse ela.

"Pioneiros"
Mariangela aparece na lista da TIME na categoria "Pioneiros". Em sua apresentação, a revista descreve brevemente a pesquisa do inoculante biológico desenvolvido pelas pesquisas lideradas por Mariangela. Misturado à semente na hora do plantio, ele diminui o impacto ambiental e os custos para os produtores.
"Hoje, graças ao seu trabalho, 85% da soja brasileira é cultivada com esses microrganismos em vez de fertilizantes sintéticos. Suas inovações científicas, utilizadas em todo o mundo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente.", descreve a TIME.
A trajetória de Mariangela
Nascida em 06 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, reconhecida mundialmente por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Desde a infância, teve curiosidade por conhecer o que envolve os aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Quando tinha oito anos, ganhou da avó materna o livro "Caçadores de Micróbios", de Paul de Kruif, sobre a vida de microbiologistas. Depois dessa leitura, decidiu que queria ser microbiologista, mas não na área médica — tinha que ser sobre solo e plantas. Sua busca por conhecimento e seu espírito científico, a levaram a cursar Engenharia Agronômica e se especializar em microbiologia do solo, tornando-se uma das mais renomadas microbiologistas do mundo.
Desde 1982, Mariangela desenvolve inovações que resultaramno lançamento de mais de 30 tecnologias. A cientista possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. Também já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.
Reconhecimentos
Em 2025, Mariangela recebeu o World Food Prize. Ela também é comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.
Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.
(Com informações da assessoria da Embrapa Soja)