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Gleisi atribui investigação dos EUA sobre o pix à família Bolsonaro

Em entrevista em Foz do Iguaçu, deputada relaciona proposta de tarifa de 25% contra o Brasil a articulações políticas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Gleisi atribui investigação dos EUA sobre o pix à família Bolsonaro
Gleisi em Foz do Iguaçu: crítica aos Bolsonaro. Foto: Melito/Divulgação
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A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) afirmou nesta terça-feira (2), em Foz do Iguaçu, que a investigação comercial dos Estados Unidos que questiona o Pix e embasa a recomendação preliminar de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi impulsionada por articulações da família Bolsonaro em território americano.

A declaração foi dada horas após a divulgação da conclusão preliminar da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que incluiu políticas relacionadas aos serviços de pagamento eletrônico entre os fundamentos da proposta de sanções comerciais contra o Brasil.

“O tarifaço de agora do Trump é resultado de uma ação que começou lá atrás com o Eduardo Bolsonaro, quando ele foi para os Estados Unidos articular contra o Brasil para salvar o pai dele”, afirmou, ao atribuir o avanço da investigação à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O Pix figura entre os temas centrais da investigação americana. No relatório, o USTR sustenta que o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, o que configuraria um potencial conflito de interesses. O documento também afirma que empresas americanas de pagamento eletrônico seriam prejudicadas por políticas adotadas pelo Brasil.

Ao mesmo tempo, a conclusão preliminar reconhece a rápida adoção do Pix pela população brasileira, a redução dos custos de transação e sua contribuição para a ampliação da inclusão financeira.

Na entrevista, Gleisi afirmou que a presença do Pix na investigação está relacionada aos interesses econômicos de empresas estrangeiras do setor de pagamentos.

“Os cartões de crédito aqui são de bandeira americana, cobram taxa na estratosfera. Nós temos o Pix, que é de graça, é barato, foi desenvolvido pelo Banco Central. A população já adotou o Pix e eles estão dizendo que o prejuízo a eles é por conta desse meio de pagamento.”

A deputada também afirmou acreditar que a investigação poderá ser utilizada para justificar futuras restrições envolvendo o sistema brasileiro.

“Já já eles vão tomar medidas para embargar a utilização do Pix por empresas americanas, para as nossas transações.”

Gleisi classificou a situação como “crime de lesa-pátria” e defendeu uma investigação sobre a atuação da família Bolsonaro no caso.

As declarações foram feitas no fim da manhã. No início da tarde, o governo federal divulgou nota oficial contestando a conclusão preliminar da investigação da Seção 301 e adotando uma linha semelhante à defendida pela parlamentar.

No texto, o governo afirma que a investigação teve início em 15 de julho de 2025 “por provocação da família Bolsonaro” e associa o processo a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil. A manifestação também destaca que o Pix foi mencionado explicitamente nas recomendações preliminares do USTR e sustenta que não há justificativa para medidas contra o sistema brasileiro de pagamentos.

A nota argumenta ainda que o Pix é uma infraestrutura pública, gratuita e amplamente utilizada pela população, operada pelo Banco Central sob regras uniformes. Segundo o governo, empresas americanas participam do ecossistema de pagamentos brasileiro e não sofrem discriminação regulatória.

Além dos serviços de pagamento eletrônico, a investigação americana cita temas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O governo brasileiro também contestou os fundamentos econômicos da medida. Na nota, afirma que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões na relação comercial com o Brasil entre 2011 e 2025 e que 76% das importações brasileiras originárias dos EUA ingressaram no país sem pagamento de imposto de importação em 2025.

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