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Denúncia do MP evidencia ação de vereadores de Curitiba para encobrir caso de nepotismo de Eder Borges

Processo foi arquivado com o voto de quatro vereadores da direita, com oposição de outros três integrantes do conselho

Denúncia do MP evidencia ação de vereadores de Curitiba para encobrir caso de nepotismo de Eder Borges
Eder Borges: vereador denunciado por nepotismo. Foto: Tami Taketani/Plural

A denúncia do Ministério Público contra o vereador Eder Borges (PL) por nepotismo serve para mostrar como a Câmara de Curitiba tem agido para encobrir violações de conduta cometidas por membros da maioria governista. O mesmo fato que agora pode levar o vereador a se tornar réu na Justiça foi analisado pelo Conselho de Ética da Câmara, que decidiu nem mesmo dar prosseguimento às investigações.

A denúncia de que Eder Borges contratou a própria enteada para o cargo de Chefe de Gabinete, com salário de R$ 17 mil mensais, partiu do mandato de Giorgia Prates (PT). A vereadora levou o caso ao corregedor da Câmara, Sidnei Toaldo (PSD), com indícios a serem analisados. O corregedor fez a investigação prévia e enviou o caso para que o Conselho de Ética decidisse se abria ou não procedimento contra o vereador.

Os indícios iniciais, assim como as provas que a própria imprensa acrescentou, pareciam mais do que suficientes para garantir, no mínimo, a necessidade de uma investigação. Posts de redes sociais mostravam claramente o namoro entre Eder Borges e Andréia Gois Maciel, mãe de Victoria Lauren Maciel Almeida. O próprio vereador chamou Andréia de sua mulher em plenário. Um boletim de ocorrência policial apresentava o mesmo endereço para os dois.

Publicações de Eder Borges com Andreia Gois Maciel, mãe da chefe de gabinete do vereador (Reprodução)

Os integrantes do Conselho de Ética, porém, decidiram arquivar a denúncia, alegando que o corregedor não havia se empenhado o suficiente para trazer provas. Em suas falas na sessão de 7 de julho, os vereadores que mataram a investigação usaram como pretexto uma interpretação do regimento da Câmara que, segundo eles, proibiria ao Conselho de Ética fazer investigações. Como se coubesse a eles apenas julgar o que já viesse pronto de outras instâncias, e não instruir o processo.

O processo foi arquivado com o voto de quatro vereadores, com oposição de outros três integrantes do conselho.

Lórens Nogueira (PP) - Prosseguimento
Carlise Kwiatkowski (PL) - Arquivamento
Guilherme Kilter (Novo) - Arquivamento

Bruno Secco (PMB) - Arquivamento

Toninho de Farmácia (PSD) - Arquivamento

Angelo Vanhoni (PT) - Prosseguimento
Laís Leão (PDT) - Prosseguimento


Duas semanas depois, ainda no recesso legislativo de julho, os vereadores do Conselho de Ética voltaram a se reunir para julgar um recurso que tentava forçar a investigação. Nesse caso, a derrota foi ainda maior, com cinco votos pelo arquivamento definitivo do caso.

Lórens Nogueira (PP) - Arquivamento
Carlise Kwiatkowski (PL) - Arquivamento
Guilherme Kilter (Novo) - Arquivamento

Bruno Secco (PMB) - Arquivamento

Toninho de Farmácia (PSD) - Arquivamento

Angelo Vanhoni (PT) - Prosseguimento
Laís Leão (PDT) - Prosseguimento


“Fui com a minha mulher”: Eder Borges nega relação com mãe de chefe de gabinete, mas há provas do contrário
Em 2023, vereador disse ao site da Câmara que sua “esposa” fora agredida em evento da Conae — ele se referia à mãe de sua chefe de gabinete

Os vereadores da oposição argumentavam que os votos a favor de Eder Borges eram uma proteção ao correligionário, partiam de uma decisão política, e não de uma análise dos fatos que constavam do processo. Opinião que só ganhou mais peso depois que a Câmara resolveu levar adiante um processo de cassação contra a vereadora Professora Angela, do PSOL, por publicar e distribuir uma cartilha em que constavam políticas de redução de danos para usuários de entorpecentes - algo que foi confundido pela Câmara como "apologia às drogas".

Agora, a Câmara verá o Ministério Público e a Justiça julgarem um dos seus sem que tenha feito nada para punir, ou pelo menos averiguar a fundo, a contratação de uma parente para cargo de chefia num gabinete - o que, no mínimo, fará ainda mais mal para a reputação do Legislativo municipal.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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