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De olho nas urnas, Kilter e Chiquini adotam discurso de "mártires" após tumulto na UFPR

Confusão é positiva para vereador e advogado, que pretendem ambos ser candidatos a deputado federal no ano que vem

De olho nas urnas, Kilter e Chiquini adotam discurso de "mártires" após tumulto na UFPR
Kilter e Chiquini: confusão de olho em 2026. Foto: Tami Taketani/Plural
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O vereador Guilherme Kilter (Novo) e o advogado Jeffrey Chiquini foram escorraçados da UFPR na noite desta terça-feira (9). Convidados para fazer uma palestra, nem conseguiram chegar ao Salão Nobre: conhecedores do currículo dos dois e do tipo de discurso que viria num evento sobre possíveis excessos do STF, alunos e manifestantes fizeram um cordão de isolamento para barrar a entrada de ambos.

Alguém poderá pensar que os dois saíram frustrados. Tadinhos, que barra, né? Só que não. O evento todo, claramente, desde o princípio, era uma provocação. Marcado por uma professora do Direito que, aparentemente, discorda em gênero, número e grau de seus colegas sobre o que seja "democracia", a palestra dupla era certeza de conflito e distopia - como de fato ocorreu.

Pois Chiquini e Kilter não só se refugiaram numa sala de professores como acionaram a polícia. E a PM não decepcionou: invadiu a universidade (o que é ilegal - só a Polícia Federal poderia entrar no campus); disparou com balas de borracha (a violência em áreas centrais não contempla o uso de munição letal); e prendeu um estudante (ah, a clássica prisão do estudante de Ciências Sociais em manifestações, e justo num evento sobre democracia e liberdade de expressão).

O resultado de tudo isso? Evitou-se uma palestra de duas horas em que direitos fundamentais seriam criticados e o conceito de Estado de Direito seria distorcido, torturado mesmo. Por outro lado, Chiquini e Kilter saíram de lá felizes da vida, prontos para fazerem-se de mártires de "vagabundos" (como eles carinhosamente chamam os alunos da universidade pública) nas redes sociais.

Se me for dado palpitar, diria que os dois serão eleitos deputados federais no ano que vem, por partidos tão afeitos ao Estado Democrático de Direito quanto o Novo e o PL. Eis o prêmio pelo martírio sofrido.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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