"Até o presente momento não há falta de oxigênio na Rede Municipal. Tampouco há problemas estruturais nas UPAs". Foi assim que a Secretaria Municipal de Saúde respondeu a questionamentos sobre a estrutura das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) feitas pelo Plural. No entanto, segundo relatos ouvidos pela reportagem, fotografias e vídeos enviados, a situação é caótica em todas elas: faltam profissionais, macas, espaço, suportes, mobiliário, respiradores, monitores cardíacos e o consumo de oxigênio dobrou, acentuando o problema estrutural da Rede para atender tantos pacientes ao mesmo tempo.
Com recordes de infectados e uma média diária de 25 óbitos, Curitiba já tem 100% dos seus leitos para Covid-19 ocupados nas Redes Pública e Privada. Nas UPAS, que atualmente foram transformadas em mini hospitais para atendimento de pacientes da doença, a situação não é diferente: estão lotadas.

Com isso, ao invés dos pacientes estarem em macas e salas, eles são amontoados em poltronas, cadeiras e corredores. "Todos ficamos muito próximos dentro das emergências Covid da UPA. Tem ficado 5 a 6 camas em um espaço que era para ficar 3 macas", conta um servidor da UPA Sítio Cercado. "Nas enfermarias há sempre muitas poltronas, umas próximas das outras e pacientes que ficam dias aguardando vaga em hospital ou outra UPA que tenha leito."


O trabalhador conta que existem monitores cardíacos e de pressão, quebrados há algum tempo. "Os monitores que temos, são bastante sucateados e alguns estão quebrados. Poderiam ter sido comprados novos neste ano", completa.
"É desesperador e desumano"
Já na UPA Pinheirinho, os vídeos mostram que há equipamentos, como monitores, que sem mobiliário ideal ficam empilhados em cima de cadeiras de plástico improvisadas, ao lado das macas dos pacientes. "Colocamos o equipamento em uma cadeira, porque não tem onde colocar as coisas", disse outra funcionária. "O monitor ligado na paciente é um improviso, ele não é um monitor multiparamétrico, necessário em UTI", conta.
Em outro vídeo, é possível ver que os funcionários estão tendo que revezar um monitor cardíaco entre um paciente e outro, para poder monitorar a pressão arterial. "Ficamos sempre na tensão se vamos ter mais alguém para intubar ou não. É desesperador trabalhar assim. É desumano."
Ainda assim, a Prefeitura diz que, por contarem com rede de gases para respiradores, "é importante que a Secretaria Municipal de Saúde tenha apostado na estratégia de usar as UPAs."
Além da falta de estrutura, os profissionais da Saúde ainda precisam lidar com ameaças de exoneração da SMS caso divulguem as reais situações das UPAs.