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Acampamento Terra Livre cobra demarcação de terras indígenas como prioridade

Delegações de indígenas do Sul do Brasil estão entre os milhares de indígenas participantes do ATL 2026, em Brasília

Acampamento Terra Livre cobra demarcação de terras indígenas como prioridade
Eloy Nhandewa, liderança Guarani do Paraná. (Foto: Pamella Sue.)

No último domingo (5), teve início o Acampamento Terra Livre (ATL) que reúne indígenas de todo o País, em Brasília. Neste ano, a mobilização tem como tema a defesa dos territórios e o protagonismo dos povos originários no debate ambiental e político: Nosso futuro não está à venda. A resposta somos nós. A mobilização, considerada a maior do movimento indígena no país, destaca a defesa dos territórios, da biodiversidade e da participação indígena nos espaços de decisão.

Delegações de indígenas do Sul do Brasil também marcam presença no ATL 2026. Liderança Guarani-Nhandewa da Região Metropolitana de Curitiba, Eloy Nhandewa afirma que o tema desta edição busca marcar “um momento de luta” e ressaltar o papel central dos povos indígenas na preservação ambiental. “Está nos povos indígenas a resposta tanto para a preservação da vida humana quanto do planeta”, diz. Segundo ele, a presença indígena em instâncias políticas, acadêmicas e institucionais é essencial para garantir a proteção de rios, florestas e da soberania nacional. “É nesses espaços que se constroem leis que impactam toda a diversidade da vida”, afirma.

Demarcação de terras

A demarcação de terras segue como principal reivindicação do movimento. Para Eloy, trata-se de uma pauta prioritária do Estado brasileiro, já que os territórios indígenas são fundamentais para manter a floresta em pé, assegurar água potável e proteger a biodiversidade. O ATL também atua para fortalecer candidaturas indígenas e ampliar a chamada “bancada do cocar” nas eleições, tanto em nível estadual quanto federal.

Participação indígena na política

Neste ano, o ATL também debaterá a luta pela maior participação dos indígenas na política. No último mês de fevereiro, o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Kleber Karipuna, esteve em audiência pública no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as resoluções das eleições, apresentando propostas para aperfeiçoar as normas eleitorais a partir das realidades indígenas. Entre elas, a contabilização dos votos das urnas em territórios indígenas junto aos municípios de referência, garantindo sigilo e segurança nas aldeias.

Eloy Nhandewa destaca que nesta edição o evento ressalta a priorização da articulação interna dos territórios e das candidaturas indígenas, com menor abertura para a participação de parlamentares e agentes externos. “A gente priorizou a organização política dos territórios e do movimento indígena”, explica. Ainda assim, há expectativa da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em algum momento da programação.

Dificuldades financeiras

A mobilização ocorre em meio a dificuldades financeiras. Por ser ano eleitoral, apoiadores institucionais e setores do governo reduziram repasses, o que obrigou as próprias organizações regionais a assumirem custos com alimentação, transporte e infraestrutura. “Cada regional está se responsabilizando principalmente pela alimentação e outras necessidades”, relata Eloy.

Doações

Apesar dos desafios, a adesão é significativa. Após a primeira marcha até o Congresso Nacional, o acampamento já reunia cerca de 5 mil pessoas, com expectativa de chegar entre 6 mil e 7 mil participantes. A organização também faz um apelo à sociedade civil para apoiar a mobilização, com doações de itens básicos como alimentos e produtos de higiene.

A edição deste ano reforça, portanto, duas frentes centrais: a resistência em defesa dos territórios e o fortalecimento da presença indígena nos espaços de poder. Para as lideranças, o recado é direto: a solução para a crise ambiental e democrática passa, necessariamente, pelos povos originários.

Doações para a manutenção da cozinha solidária da delegação de indígenas do Sul podem ser realizadas por meio do PIX: 41  996322334 (Eloy Jacinto).

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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