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“Não há risco de epidemia”, diz médico sobre hantavirose

Infectologista tira dúvidas sobre transmissão e tratamento da doença

médicos vestidos com roupas de proteção
Paraná monitora casos suspeitos da doença | Foto: divulgação/Sesa

Uma busca rápida pelas notícias na internet e um dos assuntos mais comentados é: hantavírus. A contaminação no cruzeiro que fazia o trajeto Argentina-Cabo Verde deixou o mundo em alerta. No Brasil, há sete casos confirmados da doença neste ano, nenhum em Curitiba. Contudo, não há risco de epidemia, segundo explicou o médico infectologista Victor Horácio de Souza Costa Júnior, da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

“Não é como a Covid-19, por exemplo. A transmissão se dá por aerossóis derivados de urina, saliva e fezes de roedores silvestres, muito diferente de humano para humano, então não há risco de epidemia”, destacou o especialista.

No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou com uma morte em Minas Gerais. No Paraná, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) monitora possíveis casos, porém os números são de “baixa incidência da doença”, conforme a pasta.

No ano passado houve um caso confirmado em Cruz Machado. Neste ano, dois casos no Estado: um em Pérola d’Oeste e outro em Ponta Grossa. Até agora 21 casos suspeitos foram descartados e 11 seguem em investigação. Nenhum deles tem relação com o navio.

Quando se preocupar

A hantavirose é uma zoonose viral aguda. Além dos aerossóis, outras formas de contágio incluem o contato do vírus com mucosas, arranhões ou mordidas desses animais.

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Nos hemisférios Sul e Norte circulam cepas diferentes da doença. No Norte, ela ataca funções hepáticos renais, com incidência de morte que pode chegar a 50% dos pacientes infectados. No Sul, a cepa prejudica funções cardiopulmonares, com incidência de morte de até 80%.

“Os sintomas costumam aparecer seis semanas após a contaminação. São dores no corpo, febre, falta de ar, dores cabeça. Não há um antiviral específico e o tratamento é feito com internação”, explica Victor Horácio de Souza Costa Júnior.

Em casos graves, conforme a Sesa, o paciente chega a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), nesse estágio é possível surgir edema pulmonar não cardiogênico, com o paciente evoluindo para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.

Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2007 e 2025, 81% das infecções foram contraídas em áreas rurais. 76% dos pacientes infectados são do sexo masculino e 93% precisaram de hospitalização.

No ano passado o Brasil registrou 35 casos da doença. Deste total, 15 pessoas morreram, uma taxa de letalidade de 42%.

Precauções

A transmissão se dá por roedores silvestres, ou seja, em áreas de mata ou rurais há mais chances de encontrar estes animais. Para população que está nestes locais, a orientação é para que use máscaras N95 e luvas ao fazer a limpeza de espaços que podem gerar aerossóis.

Outras medidas para áreas urbanas, segundo a Sesa, incluem roçar o terreno em volta das residências, dar destino adequado a entulhos, manter alimentos estocados em recipientes fechados.

Em caso de suspeita de contaminação, a pessoa deve procurar a unidade básica de saúde ou seu médico na rede de saúde suplementar. É importante reportar a data da suspeita e o local onde o contato com aerossóis pode ter ocorrido.

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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