A jovem Fernanda Estruzani foi morta com 72 facadas no dia 6 de agosto 1989, em Londrina, norte do Paraná. Após dois julgamentos na década de 1990, dos quais a defesa recorreu, Marcos Campiña Panissa, ex-companheiro da vítima, foi julgado à revelia e condenado a 19 anos e 6 meses de prisão. Isso aconteceu em 2008, quase 20 anos após o crime, mas Panissa já estava foragido desde 1995 e seguiu com paradeiro não identificado até esta quarta-feira, 15 de abril de 2026, quando foi preso no Paraguai.
A atuação conjunta do Ministério Público com as polícias, inclusive a Federal, garantiu a prisão faltando apenas dois anos para a prescrição do crime. Panissa deve ser enviado ao Brasil para início imediato do cumprimento da pena.
Promotora que atuou no Tribunal do Júri em 2008, Susana de Lacerda diz que se sente “de alma lavada” e destaca as peculiaridades do caso. “Foram anos de dedicação meus e de vários outros profissionais que buscaram justiça nesse caso. Inclusive teve exumação de cadáver, teve carta psicografada que não era da vítima, e uma vítima que foi sempre atacada usando-se o jargão da ‘mulher honesta’. Além desse réu que sempre teve a certeza de que não cumpriria a pena”, comenta.

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Feminicídio nem era lei
Quando aconteceu o crime, em 1989, e mesmo quando Marcos Panissa foi condenado, em 2005, não existia a figura jurídica do feminicídio nem outras normas legais que, hoje, limitam as tentativas de revitimização da vítima nos tribunais.
“Foi um crime de feminicídio, muito grave, mas não havia, na época, o arcabouço de leis de proteção à vitima. Então a vítima foi muito atacada. Isso foi algo que permeou todo o julgamento: a conduta da vítima sempre em pauta, apesar das 72 facadas”, relembra a promotora.
Susana acredita que as leis atuais impediriam diversas das condutas da defesa e possibilitariam uma pena maior que os 19 anos. “Ele não vai cumprir pena por crime hediondo, por exemplo, então vai levar bem menos tempo para ter o benefício de mudar de regime”, compara.
Além disso, Panissa confessou o crime e continuou solto, tendo a prisão preventiva decretada somente em 1995, quando ele se ausentou do segundo julgamento. “Acredito que isso não aconteceria hoje”, avalia a promotora.
Repercussão
O assassinato de Fernanda Estruzani ganhou destaque nacional no ano 2000, quando o caso foi exibido pelo programa Linha Direta, da TV Globo, que buscava localizar foragidos.
A Folha de Londrina detalhou o caso no episódio 1 do podcast Banco dos Réus, veiculado em 2024.