Uma semana após a Prefeitura anunciar um “acordo histórico” para resolver o impasse do Residencial Flores do Campo, na zona norte da cidade, moradores do local dizem ainda não saber o que vai acontecer com eles. “Nem a Prefeitura nem a Cohab nos chamaram para conversar”, afirma a presidente da associação de moradores, Simone de Oliveira.
Segundo o prefeito Tiago Amaral (PSD), em publicação nas redes sociais, o acordo firmado no último dia 30 prevê a transferência da área — que pertence à Caixa Econômica Federal — para o Município. O pacote inclui ainda o repasse de R$ 200 milhões para a construção de 1.218 residências, a serem subsidiadas pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e destinadas a famílias de baixa renda.
“Ficamos felizes porque a área passou para a Prefeitura, mas não disseram o que vai acontecer com a gente. Vamos poder permanecer nas nossas casas? Vamos ser levados para outro lugar?”, questiona Simone.
Na comunidade, há a suspeita de que a Prefeitura pretende derrubar as casas atuais e aproveitar o imóvel para outros fins.
No último fim de semana, a deputada federal Lenir de Assis (PT) esteve na comunidade para conversar com os moradores e confirmou que o governo federal, por meio da Caixa, vai transferir a área ao Município e liberar os recursos para as novas moradias. De acordo com a presidente da associação, porém, a parlamentar também não soube informar onde as casas serão construídas. “Ela disse que essa decisão cabe à Prefeitura”, relata.
O Residencial Flores do Campo foi contratado em 2013 pela Caixa Econômica Federal, mas a construtora responsável pela obra faliu e deixou as residências inacabadas. Em 2016, cerca de 400 famílias ocuparam o local, dando início a um litígio jurídico com o banco estatal.
Atualmente, vivem na área cerca de mil famílias, sendo aproximadamente 700 de origem venezuelana, conforme mostrou o Plural. Quando as ocupações começaram, as cerca de 1.200 casas do residencial estavam em diferentes estágios de construção: algumas quase prontas, mas a maioria ainda sem portas e janelas.
Questionada pela reportagem, a deputada Lenir de Assis afirmou, por meio da assessoria, que a Prefeitura tem em mãos “todas as ferramentas para dar dignidade às famílias” do residencial. “Vamos continuar acompanhando e vamos cobrar o prefeito para que a associação de moradores seja ouvida e respeitada em cada etapa deste processo”, declarou.
O Plural também questionou a assessoria de imprensa da Prefeitura se a intenção é demolir as casas e transferir as famílias e, em caso afirmativa, o que será feito com a área. Mas até o momento não recebeu as respostas.