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Movimento Justiça por Almas cria ONG para ampliar apoio a famílias de vítimas da polícia

Integrantes da organização discutiram com Promotoria dos Direitos Humanos, em Curitiba, criação do “Gaeco da violência policial”

Movimento Justiça por Almas cria ONG para ampliar apoio a famílias de vítimas da polícia
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O Movimento Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta, que reúne familiares de pessoas mortas por policiais na região de Londrina, deu início ao processo de formalização como uma ONG. A iniciativa, segundo o advogado Marcus Vinícius Marques, tem como principal objetivo ampliar o suporte às famílias que enfrentam perdas violentas e, muitas vezes, ficam desamparadas pelo Estado.

Marques explica que a entidade pretende oferecer acompanhamento psicológico, jurídico, social e também apoio material. “A gente quer dar um suporte onde o Estado não alcança”, afirma. A proposta inclui oficinas de capacitação profissional, atividades esportivas para jovens e acolhimento emergencial logo após as ocorrências de mortes decorrentes de intervenção policial.

O processo de formalização já está avançado. “A gente já fez o contrato social, já passamos para o contador. Agora vamos trabalhar no que cada oficina vai desenvolver para já dar start no começo do ano que vem”, diz o advogado.

A atuação inicial será concentrada na região de Londrina, mas há possibilidade de expansão para outras cidades do Paraná caso grupos de familiares demonstrem interesse em replicar o modelo.

Uma das metas da futura entidade é estar presente desde os primeiros momentos após um suposto confronto policial. A ideia, segundo Marques, é ter um advogado e um profissional de assistência social ou psicologia de plantão.

“No momento em que acontecer algum suposto confronto, a gente já tem alguém disponível para ir lá, acompanhar a chegada da polícia científica, ver se tudo está sendo feito de forma correta e dar suporte imediato às famílias”, explica.

Ele destaca que esse apoio inicial ajuda não apenas na preservação de provas, mas também no cuidado com parentes em choque. “No dia, elas estão vivendo o luto. Não conseguem nem pensar. A ONG ajudaria em todas as frentes — até com coisas básicas, como organizar o enterro.”

Em Brasília nesta quarta-feira (10), para a Conferência Nacional dos Direitos Humanos, familiares de mortos pela polícia paranaense entregam documento para a ministra dos direitos humanos Macaé Evaristo

Familiares de mortos e MP discutem criação de equipe especializada

No dia 2 de dezembro, Marques esteve em Curitiba, ao lado de familiares do movimento, numa reunião na Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná. O encontro reuniu representantes da OAB, promotores e entidades voltadas ao enfrentamento da violência policial.

Um dos pontos centrais da reunião foi a proposta de criação, dentro do Ministério Público Estadual, de uma equipe especializada — algo semelhante ao Gaeco — dedicada exclusivamente à investigação de mortes envolvendo policiais. A ideia é que esse grupo, formado por policiais civis e militares, atue de plantão e compareça imediatamente às cenas de confrontos. “Eles chegariam no momento em que tivesse disparo de tiro pela polícia contra um civil”, explica Marques.

Outro tema debatido foi a possibilidade de o MP custear perícias independentes para famílias, já que peritos particulares costumam ser caros. Também se discutiu o desaforamento das investigações — ou seja, transferir casos de Londrina para outras promotorias — diante da falta de imparcialidade percebida por familiares e advogados.

Marques critica a postura de promotores que atuam diretamente nos municípios onde as mortes ocorrem. Para ele, há um “corporativismo” entre Ministério Público e Polícia Militar: “Os promotores dependem da PM e a PM depende deles”, afirma. Ele relata que pede a suspensão dos promotores de Londrina sempre que eles solicitam o arquivamento das investigações sem fundamentos sólidos. “Eles fazem uma coisa bem genérica e pedem o arquivamento. Aí a gente tem que ir lá brigar no tribunal para desarquivar.”

Nelson Bortolin

Nelson Bortolin

Jornalista, um dos fundadores da Rede Lume de Jornalismo, de Londrina

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