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Mãe relata mortes de dois filhos

A mãe dos irmãos mortos, Sandra Regina Beppler da Rosa, deu entrevista ao Plural contando o que aconteceu

Mãe relata mortes de dois filhos
Foto: Bogomil Mihaylov / Unsplash
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O ex-policial militar Andrei Castelli foi condenado a 35 anos de prisão em regime fechado por ter executado, em 2018, os irmãos Orestilhano da Rosa Junior e Adrian Beppler da Rosa, à época com 21 e 26 anos, no município de Salto do Lontra, no Sudoeste do Paraná. Castelli também foi condenado por fraude processual. O julgamento pelo Tribunal do Júri terminou na madrugada desta quinta-feira (11), na cidade de Realeza, também no Sudoeste. Quando praticou os crimes, Castelli ainda integrava a Polícia Militar, mas posteriormente foi expulso da corporação.

A mãe dos irmãos mortos, Sandra Regina Beppler da Rosa, deu entrevista ao Plural contando o que aconteceu. Segundo ela, os filhos saíram de carro de São Francisco do Sul (SC) em direção a Ampére (PR), onde a família pretendia se mudar. “Eles foram na frente para ajeitar a casa para nós”, relata.

Após organizarem o imóvel e providenciarem a ligação de energia elétrica, os jovens seguiram para a comunidade de São João do Cotegipe, que pertence a Salto do Lontra. Como nunca tinham ido sozinhos até lá, acabaram se perdendo. “Eles pararam numa borracharia para pedir informação”, conta Sandra. Em seguida, perceberam que o carro estava com pouca gasolina e decidiram abastecer. “Eles foram até o posto, abasteceram e voltaram para seguir o caminho.”

Ao passarem novamente em frente à borracharia, os jovens foram seguidos por dois policiais militares. “Quando os meninos passaram com o carro, eles foram atrás”, diz. Segundo a mãe, os filhos obedeceram à abordagem. “Eles ligaram o giroflex, os meninos encostaram, desceram do carro e levantaram as mãos.” Neste local, eles foram executados.

Junior ao volante e Adrian no banco do carona

Sandra afirma que os filhos foram levados para trás do veículo e colocados em posição de revista. Um deles, Júnior, usava um shorts largo que acabou caindo quando levantou os braços. “O shorts caiu e ele foi abaixar para levantar”, relata. Nesse momento, segundo ela, o policial André Castelli atirou. “Ele atirou no Júnior e depois atirou no outro filho também.”

Ainda de acordo com Sandra, os dois jovens permaneceram conscientes por um período e conseguiram contar o que havia acontecido. “Eles falaram com as enfermeiras, com o pessoal da ambulância, pediram socorro, disseram que não eram bandidos.” Júnior morreu por volta das 23 horas, na porta do Hospital Regional de Francisco Beltrão. “Ele nem chegou a ser atendido lá.” Adrian chegou a passar por cirurgia, mas morreu na madrugada seguinte. “Ele faleceu por volta das cinco e pouco da manhã.”

Os relatos feitos pelos jovens antes de morrerem, segundo Sandra, foram confirmados por profissionais de saúde durante o inquérito. “No inquérito, o pessoal do hospital contou aquilo que meus filhos tinham contado.”

Ela afirma que André Castelli nunca confessou o crime. “Ele continuou dizendo que meus filhos reagiram armados.” Já o outro policial envolvido teria admitido o ocorrido logo após o fato.E contado que Castelli plantou armas junto aos jovens. “O outro policial confessou porque ficou em choque, disse que nunca tinha visto uma situação daquela e ficou com peso na consciência.”

Castelli chegou a ser preso dias depois do crime, ficou cerca de 60 dias detido e, após ser solto, continuou na Polícia Militar em serviço interno, até ser expulso. “Depois do julgamento, ele nunca mais foi visto”, afirma Sandra. Segundo ela, o policial participou da sessão de forma remota, alegando problemas de saúde.

Nelson Bortolin

Nelson Bortolin

Jornalista, um dos fundadores da Rede Lume de Jornalismo, de Londrina

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