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General Silva e Luna fecha primeiro ano de mandato derrotado no Legislativo

Eleito no primeiro turno com apoio de Bolsonaro e Ratinho Jr., prefeito termina 2025 com perda de presidências, avanço do G9 e base reduzida a minoria

Por Admin
General Silva e Luna fecha primeiro ano de mandato derrotado no Legislativo

Eleito no primeiro turno com 50,14% dos votos válidos, o prefeito de Foz do Iguaçu, General Silva e Luna (PL), encerra seu primeiro ano de mandato politicamente derrotado na Câmara Municipal.

A nova composição das comissões permanentes, definida nesta quinta-feira (18), materializa essa perda de espaço ao retirar do governo o controle dos principais colegiados e consolidar a maioria do G9, bloco formado por nove vereadores.

No início de 2025, o cenário era inverso. Na instalação das comissões, em 1º de janeiro, o Executivo controlava três das comissões mais estratégicas da Casa: Legislação, Justiça e Redação; Obras e Urbanismo; e Saúde. Esses colegiados eram presididos por parlamentares aliados diretos do prefeito, garantindo influência sobre a agenda legislativa.

A força política se refletia também no plenário. Com 12 votos favoráveis e apenas dois contrários, Silva e Luna aprovou nas primeiras semanas de governo a reorganização administrativa da Prefeitura, projeto com impacto estimado em R$ 48 milhões até o fim do mandato.

Naquele momento, entre os 15 vereadores, apenas Valentina Rocha (PT) e Yasmin Hachem (PV) se apresentavam como oposição declarada.

Esse arranjo expressava o resultado das urnas. O prefeito havia sido eleito com apoio direto do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Ratinho Junior (PSD). 

O vice-prefeito Ricardinho (PSD), do partido do governador, reforçava o alinhamento político, enquanto o histórico de Silva e Luna à frente da Itaipu Binacional e da Petrobras, durante o governo Bolsonaro, sustentava a expectativa de estabilidade institucional e articulação política.

Doze meses depois, os números mudaram. Na composição definida para 2026, o governo não preside nenhuma das comissões centrais.

O G9 passou a comandar ou exercer maioria em Legislação, Finanças, Educação, Saúde e na Comissão Mista, áreas diretamente ligadas à fiscalização da gestão e ao controle da pauta na Casa de Leis.

Aliados do Executivo foram deslocados para vice-presidências ou suplências, reduzindo a capacidade de condução política do governo.

Em números, o G9 concentra nove dos 15 vereadores, o suficiente para formar maioria simples e dominar votações internas, eleição de mesas e composição de colegiados.

“Em uma Câmara de 15 vereadores, nove é mais do que a maioria mínima. Esse fato influenciou a votação das comissões”, pontuou o vereador Adnan El Sayed (PSD), integrante do bloco.

O G9 presidirá 6 das 6 comissões permanentes da Câmara de Foz do Iguaçu em 2026.

Em contraste, a base do prefeito foi reduzida a seis aliados declarados: Paulo de Brito (PL), Bosco Foz (PL), Sidnei Prestes (Mobiliza), Cabo Cassol (PL), Soldado Fruet (PL) e Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos).

O discurso da base governista evita admitir uma ruptura formal, mas adota tom defensivo diante da nova correlação de forças. Para o vereador Bosco Foz (PL), a fragmentação do Legislativo não é desejável. “Qualquer tipo de divisão não é benéfica”, defendeu.

Já o líder do governo na Câmara, Cabo Cassol (PL), reconheceu o cenário de incerteza política. “Eu espero que todos tenham capacidade de fazer o melhor pela cidade. Quem vai compor as comissões tem condições de trabalhar. O tempo dirá”, afirmou.

A perda de espaço nas comissões ocorre em paralelo ao desgaste político acumulado ao longo de 2025. A gestão Silva e Luna enfrentou quatro exonerações no primeiro escalão, diversos questionamentos judiciais, cobranças de órgãos de controle e a instalação de duas CPIs em curso - Foztrans e Educação.

Pelo regimento interno, uma terceira investigação, a CPI do Asfalto, aguarda o encerramento de uma das atuais para ser instalada.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Foz do Iguaçu não se manifestou sobre a perda de espaço político do governo nas comissões permanentes da Câmara nem sobre os impactos da nova correlação de forças no relacionamento com o Legislativo.

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