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Missionários americanos foram autorizados a fazer apresentações em 22 escolas municipais de Foz

Estado suspendeu as atividades após a divulgação do caso; vereadora Yasmin Hachem cobra explicações da Prefeitura

Missionários americanos foram autorizados a fazer apresentações em 22 escolas municipais de Foz
Até esta sexta-feira (26), ao menos seis apresentações do grupo haviam sido confirmadas em escolas de Foz do Iguaçu: uma na rede estadual, registrada em vídeo, e cinco na rede municipal, segundo o Sinprefi. Foto: Reprodução

O grupo de missionários americanos filmado em uma escola estadual cívico-militar de Foz do Iguaçu foi autorizado pela Secretaria Municipal da Educação (SMED) a realizar apresentações em 22 escolas da rede municipal. A relação das unidades foi confirmada oficialmente pela Prefeitura ao Plural.

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) suspendeu ontem (25) as atividades do grupo na rede estadual após a divulgação de vídeos gravados na Escola Estadual Cívico-Militar Santa Rita. As imagens mostram integrantes apresentando o escravagista Andrew Jackson, sétimo presidente dos Estados Unidos, como exemplo de superação aos estudantes. Em uma segunda gravação, a atividade é encerrada com uma oração diante dos alunos.

Questionada pelo Plural, a Seed afirmou ter identificado ações “incompatíveis com as finalidades inicialmente apresentadas”, mas não informou em quais escolas estaduais ocorreram as apresentações nem quem autorizou a entrada da organização nas unidades.

Na quarta-feira (24), a vereadora Yasmin Hachem (PT) denunciou que a Secretaria Municipal da Educação também havia autorizado a atuação do grupo na rede municipal e protocolou requerimento cobrando esclarecimentos da Prefeitura.

A parlamentar solicita que a administração informe quem autorizou as apresentações, quais escolas receberam ou estavam programadas para receber as atividades, quais critérios fundamentaram a decisão da SMED, quais documentos embasaram a autorização e encaminhe cópia do processo administrativo.

Em nota ao Plural, a gestão do prefeito General Silva e Luna (PL) informou que recebeu a proposta do GV Cultural Exchange após representantes da organização assegurarem que as atividades não teriam conteúdo religioso, confessional nem de proselitismo. Segundo o município, a SMED autorizou a programação e deixou a realização das atividades a cargo das direções escolares.

Os documentos obtidos pela reportagem classificam a iniciativa exclusivamente como um intercâmbio cultural. A carta “Intercâmbio de Cultura – Compartilhando valores positivos entre nosso povo” e o Memorando Interno nº 38.836/2026 preveem apresentações de cerca de 45 minutos com teatro, um palhaço, frases básicas em inglês e atividades voltadas a “valores morais”. 

Nenhum dos dois documentos menciona missionários, orações, evangelização, pregação ou qualquer atividade de caráter confessional.

Na carta, a Organização GV afirma que levaria um grupo de norte-americanos a Foz do Iguaçu e teria capacidade para atender mais de 50 escolas. O documento é assinado por Priscila e informa apenas um telefone celular como contato, sem razão social nem CNPJ. O Plural entrou em contato pelo número informado. Após ser informada de que se tratava de uma reportagem, Priscila não respondeu até a publicação desta matéria.

A gestão municipal também não explicou por que o memorando encaminhado às escolas identifica o programa como GV Intercâmbio Cultural, enquanto a nota oficial divulgada após a repercussão do caso passou a utilizar a denominação GV Cultural Exchange.

Sinprefi relata apresentações em cinco escolas

Segundo o Sindicato dos Professores e Profissionais da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi), o grupo de missionários americanos realizou atividades nas escolas Professora Elenice Milhorança, Jardim Naipi, Adele Zanotto Scalcco, Emílio de Menezes e Olavo Bilac. A entidade informou que a apresentação na Escola Adele Zanotto Scalcco ocorreu na manhã de quarta-feira (25).

Em nota, o sindicato informou que apura o caso e solicitará esclarecimentos à SMED e ao Conselho Municipal de Educação para verificar se o conteúdo apresentado nas unidades correspondeu ao material utilizado para obter a autorização.

O Sinprefi também defendeu que a escola pública observe o princípio constitucional da laicidade do Estado e sustentou que atividades promovidas por organizações externas devem permanecer compatíveis com as finalidades pedagógicas da rede municipal.

A Prefeitura ainda não informou quais das 22 escolas autorizadas efetivamente receberam o grupo nem se a programação prevista para as demais unidades foi mantida, suspensa ou cancelada após a decisão da Seed.

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