A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira (17) o jovem de 18 anos que confessou ter matado Iasmyn Eckhardt, de 14 anos, encontrada morta em uma área de mata no bairro Portal da Foz, em Foz do Iguaçu.
A versão apresentada pelo investigado para o crime, porém, é contestada pela família da adolescente. Em manifestação na Delegacia de Homicídios nesta quinta-feira (18), parentes afirmaram que Iasmyn saiu de casa após receber um pedido de ajuda de alguém em quem confiava e negaram qualquer envolvimento dela com atividades criminosas.
Segundo a tia da vítima, Zani Rotela, o suspeito frequentava a residência da família e mantinha uma relação de amizade com a adolescente. De acordo com ela, foi essa proximidade que levou Iasmyn a sair de casa na noite do crime, após receber uma mensagem pedindo ajuda para recuperar uma motocicleta que teria apresentado problemas.
“Ela considerava ele como um amigo dela. Ele frequentava a casa da mãe dela, eles eram amigos. Ela tinha confiança nele”, afirmou.
“Essa história de que a Iasmyn estava formando uma casinha para ele é mentira. Não existe isso”, disse Zani, ao rejeitar a alegação de que a adolescente teria participado de uma emboscada contra o investigado.
Durante a manifestação, os familiares também rebateram comentários que passaram a circular após a divulgação do caso. Segundo a tia, Iasmyn, que completaria 15 anos em 9 de julho, não tinha envolvimento com drogas, prostituição ou atividades criminosas.
“Ela tinha apenas 14 anos. Era uma criança boa, tranquila. Não tinha envolvimento com droga, não era garota de programa e não tinha envolvimento com crime.”
Iasmyn foi encontrada morta no domingo (14) em uma área de mata no Portal da Foz. Ela apresentava ferimentos graves na cabeça e no rosto. Conforme laudo da Polícia Científica, a causa da morte foi lesão crânio-encefálica provocada por ação contundente.
Segundo a investigação, o suspeito confessou ter levado a adolescente até o local do crime sob o pretexto de buscar uma porção de droga. Ao delegado Marcelo Pereira Dias, ele afirmou que acreditava estar sendo alvo de uma emboscada e passou a desconfiar da participação da vítima após receber ameaças de outro homem conhecido dela.
De acordo com a Polícia Civil, o investigado admitiu ter matado a adolescente com um tijolo.
“Ele atingiu a vítima por pelo menos quatro vezes na região da nuca e da cabeça, causando a morte ainda no local”, detalhou o delegado.
As investigações reuniram imagens de câmeras de segurança, depoimentos e vestígios recolhidos durante as diligências. As gravações mostram a adolescente chegando ao local acompanhada do suspeito, segundo a polícia.
Durante buscas na residência do investigado, policiais encontraram um celular e um par de chinelos pertencentes à vítima. As roupas usadas por ele no dia do crime também foram apreendidas com manchas de sangue e encaminhadas para perícia.
Testemunhas relataram ter ouvido uma discussão e pedidos de socorro na região onde o corpo foi encontrado. Também informaram que dois veículos deixaram o local logo depois.
Ao explicar por que decidiu falar publicamente após a prisão do assassino, Zani afirmou que a família tenta impedir que a vítima seja julgada em vez do autor do crime.
“Sempre quando acontece uma violência contra uma mulher ou contra uma menina, as pessoas perguntam o que ela estava fazendo, por que estava naquele lugar ou naquele horário. A gente tem que parar de fazer esse tipo de pergunta e começar a perguntar por que alguém fez isso com ela”, defendeu.
A Polícia Civil informou que o suspeito negou ter cometido violência sexual contra a adolescente. A hipótese continua sendo apurada. Os investigadores também buscam novas imagens de câmeras de segurança para reconstruir os últimos passos da vítima, verificar se houve participação de outras pessoas e esclarecer todas as circunstâncias do crime antes da conclusão do inquérito.