A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), sediada em Foz do Iguaçu, foi credenciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para coordenar uma Missão de Observação Eleitoral Nacional nas eleições de 2026.
A UNILA é a única universidade federal entre as sete instituições habilitadas pelo tribunal. Também é a única sediada na Região Sul e fora de uma capital. A coordenação ficará a cargo da universidade, enquanto a execução envolverá outras instituições de ensino instaladas em regiões de fronteira.
Segundo o professor Lucas Mesquita, coordenador do projeto, a rede reunirá sete instituições de ensino superior com presença no Rio Grande do Sul, Paraná, Roraima e Amapá. Os observadores serão formados para acompanhar a votação nos próprios municípios e estados.
“A gente está com essa proposta de tentar cobrir essa faixa de fronteira brasileira e, pela primeira vez, fazer esse acompanhamento e observar como essa eleição ocorre nesses territórios”, destacou.
A missão deverá registrar peculiaridades linguísticas, dinâmicas transfronteiriças e características das populações que vivem próximas aos limites internacionais. Segundo Mesquita, será a primeira experiência brasileira de observação eleitoral dirigida especificamente a esses territórios.
O professor afirma que 2026 será a terceira eleição no país com o uso de missões de observação. Nas experiências anteriores, segundo ele, o acompanhamento ficou concentrado principalmente em capitais, pontos isolados e áreas do litoral.
A atuação será prioritariamente no primeiro turno. A continuidade no segundo dependerá do resultado da primeira votação e da organização das equipes.
Os participantes utilizarão um questionário para registrar a abertura das seções, o andamento da votação, o fechamento, o escrutínio e o processamento dos votos. O protocolo deverá padronizar as informações coletadas pelos observadores em diferentes pontos da fronteira brasileira.
“A gente tem um protocolo de observação, que é um questionário, que traz elementos que os observadores têm que monitorar ao longo do dia da eleição”, explicou Mesquita.
O número de participantes e a relação definitiva dos municípios ainda não foram informados. A UNILA terá 30 dias, contados da publicação do ato, para solicitar ao TSE o cadastramento dos integrantes da missão. As credenciais permanecerão válidas até a entrega do relatório final.
Além da universidade, foram habilitadas a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos, a Faculdade de Direito de Vitória, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a Transparência Eleitoral Brasil e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Missão aproveita experiência eleitoral no Mercosul
O projeto se apoia em aproximadamente dez anos de atuação da UNILA com o Parlamento do Mercosul em atividades de observação eleitoral na América do Sul. Segundo Mesquita, nesse período a universidade produziu materiais, firmou convênio e participou de missões internacionais na região.
A iniciativa é desenvolvida pelo Núcleo de Integração Regional e Democracia, vinculado ao Instituto Mercosul de Estudos Avançados da UNILA, com participação do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais.