Pense em um local que transita cerca de 25 mil pessoas todo domingo. Esta é a Feirinha do Largo da Ordem, em Curitiba. Agora, pense que 1% (250) deste público não pode simplesmente comer porque não tem um espaço para ele. É a realidade das pessoas que têm a doença celíaca, uma doença autoimune causada pela intolerância ao glúten, que é encontrado no trigo, aveia, cevada e centeio. Esse cenário pode estar mudando após a Prefeitura de Curitiba sinalizar positivamente para introdução de barraquinha com alimentos destinados a quem tem a doença. E não apenas no Largo, mas em todas as feirinhas da cidade.
A solicitação partiu da advogada Giseli Vilela, defensora da causa dos celíacos. Em um post em suas redes sociais, ela provocou a gestão Eduardo Pimentel (PSD), dizendo que havia mais de 20 barracas vazias e que o local não tinha “nenhuma barraca sem glúten”. No Largo, são cerca de 800 expositores.
"Ir a um local público e não ter nada seguro e apto para comer é sentir que sou invisível perante a sociedade e o poder público. Não me sinto incluída em meu próprio meio e local de vida. Precisamos lutar por leis que garantam dignidade e segurança alimentar para todos, uma vez que ainda que fosse somente uma pessoa sofrendo com uma doença incurável, estaríamos lá juntos e de mãos dadas, porque ninguém será deixado para trás", comentou a advogada.
Dias depois, ela recebeu um posicionamento da Prefeitura de Curitiba. Giseli Vilela conta que a operacionalização deve progredir após a eleição da ACELPAR (Associação dos Celíacos do Paraná), que ocorre neste sábado, 23 de agosto. Ela concorre como candidata única, na “CHAPA - Acelpar para todos: Unir, Fortalecer e Transformar!”.
O grupo tem como plataforma interiorizar pelo Paraná as ações em defesa dos celíacos, criar uma rede de parceria com médicos e especialistas, criar uma rede de amigos para conscientizar pessoas e estabelecimentos comerciais sobre o tema, além de ampliar e melhorar as políticas públicas e as relações institucionais.

Recentemente, algumas políticas públicas foram garantidas com a Lei 16.339/2024, que garante o fornecimento de alimentação sem glúten por hospitais, a Lei 15783/2020, que define a “Rota gastronômica”, e a Lei 15.637/2020, que define o fornecimento de alimentos sem glúten pelos Armazéns da Família.
Além disso, Curitiba passou a ser reconhecida como a “capital do celíaco” em 2019. A cidade ainda adotou, no ano passado, o “Maio Verde”, comemorado no dia 16, como forma de prevenir a doença. “O diagnóstico correto da doença celíaca salva vidas”, reforçou Giseli, que era diretora jurídica da Acelpar e agora concorre à presidência da Associação.