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Em jogo de futsal misto, auxiliar técnico manda menino “encoxar” menina de doze anos

Vídeo mostra momento em que criança é alvo dos ataques machistas

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Machismo durante torneio infantil misto em Curitiba | Foto: reprodução
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Uma atleta de futsal de apenas doze anos foi vítima de machismo durante a Taça Curitiba, disputada na capital do Paraná. O regulamento da competição permite times mistos e um membro da comissão técnica do time ZIG, de Fazenda Rio Grande, sugeriu que um menino “encoxasse” a menina durante a disputa da partida. Um boletim de ocorrência foi registrado junto à Polícia Militar por contravenção.

A atleta treina desde cinco anos e seu alto desempenho propicia disputa de campeonatos. Segundo a treinadora Luíza Montingelli, que acompanha a menina, a categoria sub-12 na AABB tem time feminino, mas em razão da performance duas meninas disputam as partidas junto com os colegas meninos.

No dia do jogo não houve nenhuma manifestação de cunho machista antes de atleta entrar em quadra. Testemunhas ouvidas pelo Plural apontam que as orientações vindas do banco do ZIG eram comuns: marca, aperta, avança. Contudo, quando a menina entrou, o termo “encoxa” foi utilizado mais de uma vez pelo auxiliar técnico Marcos Lima dos Santos Augusto, que admitiu ter dito isso conforme consta no boletim de ocorrência.

Mães, pais e familiares que acompanhavam a partida se revoltaram imediatamente (assista ao vídeo), indicando que aquele era um espaço cheio de crianças e que termos de cunho sexual eram inadequados. “O menino não ‘encoxa’, o que indica uma criação boa porque o menino não fez o que ele pediu”, explica a treinadora.

Machismo

Para Fernanda Haag, doutora em História e professora do Instituto Federal do Paraná (IFPR), o esporte é um ambiente que produz relações de gênero. “O futebol historicamente se constrói como um espaço de hegemonia masculina. Ele se constrói por homens por homens e foi assim durante muito tempo. É um espaço que – e é duro dizer isso – odeia mulheres e mesmo entre treinadores homens isso acontece”, diz.

Este contexto faz com que um pedido para “encoxar” uma menina de doze anos seja “normalizado” porque mulheres não são vistas como iguais, conforme explica a historiadora. “É como se ela estivesse invadindo aquele espaço e aí tem uma coisa preservação do ‘clube do Bolinha’, uma repetição desta estrutura historicamente construída para isso”.

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A mãe da atleta disse ao Plural que a filha vai continuar jogando, mas após os ataques machistas apresentou sinais de estresse como dificuldade para dormir.

O time ZIG, por meio das redes sociais, publicou uma nota dizendo que tudo não passou de um mal-entendido (íntegra no fim do texto). “Gostaríamos de deixar claro que em nenhum momento houve qualquer intenção de desrespeito, discriminação ou tratamento inadequado à atleta adversária”.

O auxiliar-técnico foi suspenso por oito partidas, o que o impedirá de acompanhar o time até o fim da Taça Curitiba 2025. A suspensão ocorreu porque tanto o time quanto a família da atleta, representada pela advogada Isabela Cardoso, representaram junto à organização.

A advogada, que é mãe de um menino que joga no mesmo time da menina vítima de machismo, explicou que, além disso, também foi feita uma representação junto ao Ministério Público do Paraná (MPPR) em uma ação criminal, bem como está em andamento outro processo em esfera cível. “Meu filho sempre jogou com ela, eu acompanho diversos campeonatos, alguns mistos e outros não e nunca houve esse tipo de conduta agressiva”, revela.

Leia a íntegra da nota do time ZIG:

 

 

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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