Professores da rede estadual do Paraná têm enfrentado dificuldades para realizar aulas de campo com estudantes. No início de junho, um docente foi informado, no próprio dia da atividade, que a visita ao Museu Egípcio Rosacruz havia sido cancelada. O motivo apresentado foi a proibição de arrecadar recursos para custear o transporte.
O professor, que não quis se identificar, afirmou já conhecer a regra e disse que estava disposto a arcar com os custos de deslocamento, como já havia feito em outras ocasiões. Ele concorda com a proibição de cobrança para evitar exclusão de alunos que não têm como pagar, mas critica a ausência de alternativas oferecidas pelo Estado. “O que geralmente acontece é o professor assumir os custos para que os alunos possam ter experiências diferentes de aprendizado”, relatou.
Segundo o docente, os estudantes já estavam preparados para a visita quando receberam a notícia do cancelamento. “A frustração foi grande. Eles estavam empolgados e eu já havia apresentado uma prévia das atividades que seriam desenvolvidas após a visita. Foi necessário adaptar o plano de ensino”, disse.

O professor informou ainda que cancelou outras visitas planejadas para evitar novos problemas e relatou que colegas afirmam que “professores com contatos políticos conseguem com mais facilidade realizar passeios acadêmicos”.
Procurada, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) “esclareceu que os recursos do Programa Estadual de Transporte Escolar (PETE) destinam-se exclusivamente ao transporte regular dos estudantes entre suas residências e as instituições de ensino. Por isso, não podem ser usados para deslocamentos relacionados a atividades externas, como visitas pedagógicas, eventos culturais ou esportivos”.
A Seed também informou que, “quando há oferta de transporte para essas atividades, ela pode ocorrer por iniciativa dos municípios, com recursos próprios ou de associações de pais e mestres (APMF)”. A secretaria disse ainda que orienta as escolas sobre os procedimentos necessários para a realização dessas ações pedagógicas, sempre observando a legislação vigente.
