Uma semana depois da divulgação do vídeo que mostrou alunos de um colégio estadual de Curitiba marchando e cantando que vão "entrar na favela e deixar corpo no chão", um novo material revelou a exposição de armamento pesado para alunos do Colégio Cívico-Militar Vinicius de Moraes, em Colombo, na Região Metropolitana. O evento teve a participação do Secretário de Estado da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira.
Segundo publicação do Núcleo Regional de Educação Área Metropolitana Norte, a visita ao colégio, feita no dia 3 de dezembro, teve uma apresentação do efetivo do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, com cães, demonstração de equipamentos e uma homenagem aos militares do Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária e do Corpo de Bombeiros.
A Prefeitura de Colombo informou que Hudson Leôncio Teixeira foi recebido pelo secretário municipal de Governo, Trânsito e Ordem Pública, Professor Alcione, e pelo presidente da Câmara Municipal de Colombo, vereador Joel Bueno (PSD). Segundo a Prefeitura, o objetivo da ação foi "fortalecer a integração entre educação, segurança pública e o poder público, promovendo ações conjuntas voltadas à prevenção e à formação cidadã dos alunos".
As imagens mostram pelo menos três modelos diferentes de fuzis e uma pistola, entre outros equipamentos utilizados pelas Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), unidade de elite da Polícia Militar.

"Uma coisa é a Polícia Militar estar presente para apresentar seu trabalho, dar uma palestra, conversar com os estudantes. Outra coisa é expor e incentivar o armamento, transformando isso em atividade escolar", criticou a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT). "Isso está onde? Em qual diretriz pedagógica? Em qual matriz curricular?", questionou.
A deputada acionou o Ministério Público do Paraná (MP-PR) e pediu a responsabilização dos envolvidos por violação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ao Estatuto da Criança e do Adolescente, à lei estadual do desarmamento infantil (Lei 15985/2008) e ao próprio Estatuto do programa de Colégios Cívico-Militares. O artigo 16 do Estatuto diz que o militar que atua nos estabelecimentos "não utilizará uniforme, equipamentos e armamento regulamentares da PMPR."
A APP-Sindicato também criticou a iniciativa. “A escola tem como papel central a humanização, a construção do respeito à diversidade e a todas as pessoas. O modelo cívico-militar vai na contramão deste grande objetivo", disse a presidente do sindicato, Walkiria Mazeto. "Esses vídeos são apenas algumas das provas e das muitas denúncias que temos feito sobre este modelo, seja sobre assédio, violência, assim como a incitação à violência e ao racismo".
A assessoria da Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou ao Plural que a pasta não vai se posicionar sobre o assunto. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) foi contatada, mas não deu retorno até a publicação desta matéria. O espaço fica aberto.