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Conheça as três universidades paranaenses "reprovadas" no exame nacional

O Enamed divulgou seu resultado. Três universidades paranaenses foram consideradas insuficientes, com nota 2. Saiba quais

Conheça as três universidades paranaenses "reprovadas" no exame nacional
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Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foram publicados nesta segunda-feira (19). A avaliação, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ocorreu em 351 cursos de Medicina de todo o país, sendo 21 deles no Paraná. Entre as considerações, três dessas instituições foram atribuídas com a nota 2 (insuficiente) em uma escala de 1 a 5.

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), a Universidade Paranaense (UNIPAR) e o Centro Universitário Ingá (UNINGÁ) foram as instituições com a pior nota do estado. As universidades estão sujeitas a penalidades impostas pelo Ministério da Educação (MEC) após o prazo de 30 dias para apresentação de defesa do curso.

A previsão para os cursos avaliados com nota 2 é de redução no número total de vagas. A sanção é aplicada até a próxima edição do exame, previsto para outubro de 2026.

O que o Enamed avalia

Esta foi a primeira edição do Enamed. Aplicada em 19 de outubro de 2025, o exame busca avaliar a qualidade do ensino de Medicina do Brasil e de seus estudantes.

Os conceitos 1 e 2 referem-se a menos de 40% e entre 40% e 59,9% dos acertos da prova, respectivamente. A “nota de corte” da prova é de 60%, suficiente para considerar o egresso como “minimamente competente”, com atribuição da nota 3. O conceito 4 se aplica entre 75% e 89,9%, enquanto a nota máxima (5) é atribuída de 90% acima.

A prova é constituída de 100 questões de múltipla escolha que abrangem os principais conteúdos presentes nos cursos de Medicina. Com o resultado, o Inep e o MEC esperam obter indicadores consistentes sob o instrumento comum de avaliação.

O Enamed ainda pode ser compreendido como a versão específica para Medicina do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Segundo o doutor em Educação e avaliador do MEC Adriano Coelho, as provas podem ser consideradas as mesmas, com a mesma finalidade.

“Há uma fantasia de que o Enamed é diferente do Enade”, afirma. “Como o curso de Medicina é bastante extenso, com seis anos, o que muda é que a prova do Enamed veio com 100 questões. Fora isso, não dá pra falar de muita diferença entre as provas. Ambas são provas com Teoria de Resposta ao Item, que medem habilidades, focadas em aspectos práticos a partir de um mapa de referência de competência.”

Ainda de acordo com o especialista e sócio-consultor da Hoper Educação, o MEC “acertou a mão” em aplicar uma avaliação focada em habilidades. Ele considera que a avaliação faz mais sentido em termos de aferir o que é ensinado aos futuros médicos e o que esses aplicarão no dia a dia da profissão.

Cerca de 40 mil estudantes concluintes de Medicina realizaram a prova, dos quais 67% tiveram “resultado proficiente” para a formação.

O que dizem as universidades

As três instituições paranaenses foram procuradas pela reportagem. A UNILA, única universidade pública entre as três, respondeu aos questionamentos, afirmando que solicitou a revisão do cálculo ao Inep. A universidade de Foz do Iguaçu diz que o número de alunos com notas satisfatórias seria o equivalente a um percentual de 61,82%, resultando no Conceito Enade 3, superior à nota 2 atribuída pelo Enamed. A nota na íntegra pode ser conferida abaixo.

A UNINGÁ, de Maringá, não retornou o contato a tempo de publicação da matéria, mas publicou nota oficial (a seguir) em que atribui o resultado especificamente aos estudantes concluintes de 2025. A instituição ainda afirma que o resultado “constitui um alerta acadêmico relevante”, tratado internamente com seriedade. A nota também pode ser lida a seguir.

Já a UNIPAR, de Umuarama, não publicou nota oficial a respeito do resultado. Em sua página no Instagram, a universidade ainda aparenta ter apagado pelo menos três comentários na última publicação do curso de Medicina.

A reportagem segue aberta para manifestação das instituições.

O que diz o Conselho Regional de Medicina

Autarquia responsável pela fiscalização do exercício da profissão no estado, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) manifestou preocupação com os resultados do Enamed. O conselho publicou nota oficial (abaixo) em que afirma que a preocupação se estende à “proliferação indiscriminada de cursos de Medicina no País” e à “baixa qualidade na formação oferecida por parte das instituições de ensino e os impactos negativos desse cenário” no exercício médico.

O CRM ainda diz que busca aproximação com as universidades a fim de capacitar plenamente as instituições em termos éticos e educacionais da profissão. O órgão ainda defende a aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed) no Congresso Nacional, proposta que define a iniciativa de uma espécie “exame da OAB da Medicina” para a obtenção do registro profissional a novos médicos.

Resultados gerais do Enamed

Dos 351 cursos de Medicina avaliados no Brasil, cerca de 30% (107) cursos foram avaliados como insuficientes, sendo 24 com o conceito Enade 1 e 83 com o conceito 2.

Instituições privadas tiveram média de 57,2% de proficiência, enquanto federais registraram 83,1% de média. Já as estaduais obtiveram média de 86,6%. O pior resultado ficou com as municipais, com média de 49,7%.

Ainda no Paraná, seis cursos foram avaliados com nota máxima e outros 11 receberam notas 3 ou 4. Confira a lista aqui.

Manifestações oficiais

UNILA

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) vem a público esclarecer acerca das informações recentemente divulgadas sobre a avaliação dos cursos na área médica.

A partir de 2025, os cursos de Medicina passaram a ser avaliados anualmente por meio do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados subsidiam o cálculo do Conceito Enade, conforme metodologia definida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), por meio da Nota Técnica nº 40/2025/Daes-Inep.

No caso do curso de Medicina da UNILA, os dados registrados indicam que 34 estudantes apresentaram desempenho classificado como proficiente, em um total de 55 concluintes com resultados válidos (estudantes que efetivamente realizaram o exame). De acordo com os critérios estabelecidos nos itens 7, 7.1, 7.2, 7.3 e 7.4 da Nota Técnica nº 40/2025/Daes-Inep, esse percentual corresponde a 61,82%, resultando no Conceito Enade 3.

É fundamental destacar que o Conceito Enade 3 é um conceito satisfatório, plenamente compatível com a continuidade, a regularidade e o funcionamento do curso, não implicando qualquer risco para o curso de Medicina da UNILA, que segue regularmente autorizado, reconhecido e em pleno funcionamento, com todas as suas atividades acadêmicas mantidas.

Ressalta-se, ainda, que as informações repercutidas pela imprensa ainda estão pendentes de finalização, uma vez que o Inep ainda não concluiu a divulgação definitiva dos resultados na área pública do sistema e-MEC. O resultado final somente é publicado após a etapa de conferência pelas instituições de ensino superior, que podem solicitar ajustes caso identifiquem divergências nos dados ou na aplicação da metodologia.

A UNILA já solicitou formalmente a conferência dos resultados junto ao Inep, com base nos registros oficiais do sistema e-MEC e na metodologia expressa na Nota Técnica nº 40/2025/Daes-Inep. A Universidade está em diálogo com o curso para apoio institucional e acompanha o processo com responsabilidade e transparência, mantendo sua comunidade informada por meio dos canais institucionais.

Nesse contexto, a UNILA reafirma seu compromisso com a qualidade da formação médica, com a seriedade da avaliação institucional e, sobretudo, com o cuidado e o respeito aos seus estudantes, docentes e técnicos.

UNINGÁ

A UNINGÁ – Centro Universitário Ingá esclarece o resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE/ENAMED) referente ao curso de Medicina. A Instituição reforça que o conceito atribuído diz respeito exclusivamente ao desempenho dos estudantes concluintes de 2025 que participaram da avaliação, conforme critérios e metodologia definidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), não representando de forma objetiva a qualidade do curso.

Ainda assim, a Instituição compreende que o resultado constitui um alerta acadêmico relevante, que está sendo tratado com a devida seriedade. Nesse sentido, a UNINGÁ já iniciou análises internas para identificar possíveis fatores associados ao desempenho observado, com vistas à adoção de medidas acadêmicas e pedagógicas voltadas ao aprimoramento contínuo do processo formativo.

Ressalta-se que a UNINGÁ foi recredenciada pelo Ministério da Educação em 2025 com conceito máximo, atestando a qualidade institucional, a regularidade acadêmica, a organização administrativa, a infraestrutura e os processos de gestão. Da mesma forma, o curso de Medicina teve seu reconhecimento renovado com conceito 4, em uma escala de 1 a 5, o que confirma o atendimento aos padrões de qualidade exigidos pelo MEC quanto à estrutura curricular, corpo docente, cenários de prática e condições de oferta.

Esses resultados institucionais demonstram que o curso e a Instituição atendem aos requisitos legais e acadêmicos estabelecidos pelos órgãos reguladores, garantindo ótimas condições para a formação médica. O desempenho dos discentes em avaliações externas, embora relevante, envolve múltiplos fatores, incluindo o engajamento individual, a trajetória acadêmica e a participação efetiva no processo formativo ao longo do curso.

Quanto aos demais pontos mencionados, a Instituição reforça que mantém investimentos contínuos em infraestrutura, laboratórios, cenários de prática e campos de estágio, bem como parcerias assistenciais, sempre observando normas técnicas, pedagógicas e de biossegurança. As políticas acadêmicas, calendários letivos e estratégias de ensino são definidas de forma institucional, em conformidade com a legislação vigente e com os projetos pedagógicos aprovados pelos órgãos colegiados competentes.

A UNINGÁ reafirma seu compromisso com a formação ética, técnica e humanística dos futuros médicos, com a transparência institucional e com a melhoria permanente de seus processos acadêmicos, colocando-se à disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários.

CRM-PR

O CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO PARANÁ (CRM-PR) acompanha com grande preocupação, já há algum tempo, a proliferação indiscriminada de cursos de Medicina no País, a baixa qualidade na formação oferecida por parte das instituições de ensino e os impactos negativos desse cenário sobre a qualidade da assistência prestada à população e sobre o exercício ético da própria Medicina.

Os recentes resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) reforçam esse alerta, ao evidenciar que um número expressivo de escolas médicas não atinge níveis mínimos aceitáveis de qualidade, o que compromete a segurança do cuidado em saúde e impõe riscos diretos à sociedade.

Diante desse contexto, o CRM-PR tem atuado de forma contínua na busca por maior aproximação com as universidades. Entre as ações desenvolvidas, destaca-se o incentivo e o esclarecimento quanto à importância da acreditação das escolas médicas por meio do SAEME-CFM (Sistema de Acreditação de Escolas Médicas do Conselho Federal de Medicina).

Trata-se de um instrumento voluntário de avaliação e certificação do ensino médico no Brasil, que também oferece consultoria às instituições que apresentem fragilidades e demonstrem interesse em aprimorar seus processos formativos.

O Conselho do Paraná também tem proposto às universidades que mantêm cursos de Medicina no Estado a adesão ao “Projeto Ética”, iniciativa por meio da qual o CRM-PR promove, de forma gratuita, debates sobre temas essenciais ao exercício profissional, como as normas éticas da Medicina, a caracterização das infrações éticas, os critérios para a publicidade médica, o enfrentamento da dependência química no meio médico, entre outros assuntos fundamentais à formação responsável do futuro médico.

O CRM-PR reforça que seguirá atuando de forma alinhada às medidas adotadas pelo CFM, compartilhando do entendimento de que a responsabilidade pela formação médica exige rigor, compromisso institucional e ação efetiva dos órgãos competentes. Nesse contexto, é urgente que o Congresso Nacional aprove o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que será obrigatório para concessão do registro aos novos médicos. A preservação da qualidade do ensino e da segurança da população deve ser prioridade absoluta, acima de interesses administrativos ou mercadológicos.

Arthur Salles

Arthur Salles

Jornalista com pós-graduação em Jornalismo Digital. Dez anos de experiência em comunicação, com passagens por redação, rádio, TV e assessorias de imprensa

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