Dois dos mais conhecidos e importantes professores de História de Curitiba começam nesta semana uma troca pública de cartas sobre os mais diversos assuntos: a cidade, o país e o mundo fazem parte das conversas entre Daniel Medeiros e Renato Mocellin que o leitor do Plural poderá acompanhar semanalmente.
Amigos desde o começo de 1980, quando começaram a dar aulas de História no mesmo colégio, Daniel e Mocellin passaram juntos pelo fim da Ditadura Militar, pela redemocratização e por todos os fatos que mudaram o cenário político do Brasil nos últimos 40 anos.
"Conheci o Renato quando fui fazer teste para professor no Colégio onde ele dava aulas e ele foi o avaliador. Minha relação com o Mocellin é de mestre e aprendiz, até hoje. Somos colegas de profissão e somos amigos, mas, para mim, ele será o cara que me ajudou em praticamente todos os passos da minha carreira. Isso não dá para dissociar", diz Daniel, que já foi autor de colunas e de um podcast no Plural.
"A nossa convivência sempre foi muito boa. Temos discordâncias, porém, sempre de uma forma respeitosa", diz Renato Mocellin, que além de autor de livros j;a se aventurou em campanhas políticas. Os dois mantêm o bom humor até quando discutem qual a diferença de idade entre eles. Daniel diz que não dá pra saber a idade de Mocellin: "O cara pinta o cabelo". Renato desmente. "Tenho 67 e sem cabelos brancos".
Leia aqui a primeira carta de Daniel Medeiros
Quanto à convivência intelectual, não podia ser melhor. "Temos ideias distintas, sem dúvida, mas nunca nos confrontamos. Não há razão para isso. Eu jamais o confrontraria", diz Daniel. "A nossa convivência sempre foi muito boa. Temos discordâncias, porém, sempre de uma forma respeitosa", concorda Mocellin.
Sobre a ideia da troca pública de cartas, os dois veem como uma boa chance de fazer na frente de todos a conversa que já vêm mantendo diante de milhares de alunos anualmente.
"Ah, creio que há uma história de vida pública que mantemos há 40 anos e que envolve também todo mundo que participou dela, alunos, pais e colegas professores. É difícil calcular, mais creio que eu, que sou mais novo, já dei aula , nesses 40 anos, para mais de 100 mil pessoas. Talvez algumas delas se interessem com esse pequeno exercício de intimidade revelada por meio das cartas. É fato, elas perceberão, que eu sou mais tagarela e o Mocellin mais reservado. Sempre foi assim", diz Daniel.
"Acredito demonstrar que a amizade e o respeito de um pelo outro deve inspirar os jovens de hoje. Em uma época de 'Modernidade Líquida', conforme a análise de Bauman, ainda existem espaços para uma amizade sólida e longeva. Na Era da Pós-Verdade é possível defender o racionalismo, o respeito, a tolerância, a alteridade, a empatia e a luta por uma sociedade mais justa, solidária e democrática", afirma Mocellin.