Depois de semanas sem saber se seus programas dentro da Secretaria da Educação de Curitiba seriam mantidos, servidores da pasta foram pegas de surpresa com uma ordem: escolher escolas para voltar a assumir aulas. A decisão acontece às vésperas do início das aulas, previsto para o dia 12 de fevereiro. Em comunicado à imprensa no último dia 7 de fevereiro - bem no dia em que as equipes pedagógicas e docentes das unidades escolas voltaram para suas unidades para preparar o início das aulas - a prefeitura informou que "com a otimização de processos internos, não haverá prejuízo em nenhuma área administrativa da Prefeitura".
Mas dentro da secretaria o sentimento foi bem diferente. Uma profissional que conversou com o Plural disse que entre os programas que estavam sem nenhuma definição desde janeiro - apesar do calendário escolar já estar definido e prazos já se aproximando - vários como o Curitibinha Poliglota e a Educação de Jovens e Adultos estavam operando sem nenhuma definição. O Curitibinha Poliglota é uma das heranças do governo de Rafael Greca e tinha considerável importância no legado no ex-prefeito. Inclusive a rede municipal deveria receber em breve professores que estão em intercâmbio fora do país.
Agora parte das equipes desses programas foram desmanteladas. A suspeita, o Plural ouviu de profissionais do setor, é que o novo secretário esteja preparando terreno para terceirizar processos na pasta, contratando empresas para coordenar o que antes era realizado internamente. No passado, porém, outras iniciativas do gênero foram desastrosas, como a contratação da plataforma Elefante Letrado, por R$ 4,5 milhões, para atuar no letramento de estudantes do Ensino Fundamental. O site oferta obras literárias de qualidade duvidosa e com erros de grafia e um teste de proficiência em leitura que usa Inteligência Artificial para avaliar crianças de 6 a 10 anos. O contrato com a Elefante Letrado foi prorrogado e recebeu um aditivo de R$ 4,5 milhões nos ultimos dias de 2024.
Por outro lado, o envio de 300 professores em atividades administrativas para as escolas tenta resolver o déficit de profissionais. No início do ano o recém-empossado prefeito Eduardo Pimentel correu para nomear servidores aprovados nos últimos concursos, mas isso não resolveu a falta de professores nas unidades escolares. Os profissionais do administrativo, porém, incluem servidores que estão há anos longe da sala de aula. A decisão da prefeitura inclui apenas uma formação de um dia, no dia 12 de fevereiro.