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MP denuncia mulher que mandou trabalhador estrangeiro “voltar para o Peru e dar o c*”

Mulher queria amostras grátis de produtos, mas quando recebeu negativa começou a ofender trabalhador

fachada de prédio do mppr
Prédio do MPPR, em Curitiba Foto: Tami Taketani/Plural.
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O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou Carmem Ligia Rodolpho pelo crime de injúria racial, por praticar xenofobia contra o trabalhador Anghelo Jesus Razuri Moran, que é peruano, e vive em Curitiba. O crime foi praticado em 2023, em uma loja da Sephora, em um shopping no bairro Batel, mas a denúncia só feita na semana passada.

Moran era consultor de uma marca de cosmético e alocado na loja da Sephora. Conforme a denúncia, a acusada solicitou a uma outra consultora amostras grátis de produtos, mas a trabalhadora explicou que não poderia fornecer porque esta unidade da loja não adotava esta prática.

Quando a vendedora se retirou, a cliente fez o mesmo pedido a Moran, que novamente explicou que não havia amostras. Desta vez, no entanto, ao perceber o sotaque estrangeiro do trabalhador, a mulher se exaltou e começou a proferir xingamentos contra o rapaz.

Conforme a denúncia à qual o Plural teve acesso, entre outras ofensas, a mulher disse que Moran deveria “voltar para o Peru e dar o c*”. Ela também afirmou que o trabalhador deveria estar “varrendo rua” e que deveria “voltar para o seu país”. Estas manifestações, segundo o MPPR, tiveram a clara intenção de humilhar a vítima.

print de um documento que tem texto com xingamentos contra o trabalhador
Trecho da denúncia feita pelo MPPR

O crime foi classificado como injúria racial porque não existe a tipificação específica de xenofobia. A injúria racial também se refere a ofensas contra a origem e/ou nacionalidade da vítima.

A denúncia pede a condenação da acusada – que, pela tipificação do crime, será serviço comunitário e multa. O MPPR também pede indenização de R$ 26 mil.

Geolocalização confirma vínculo de trabalhadora doméstica em Curitiba
Por meio do histórico obtido via GPS, a perícia constatou que a trabalhadora tinha uma rotina de trabalho na residência da reclamada

Já na esfera civil, o advogado que representa o trabalhador, Charly Fagundes, explicou que eles requerem indenização de R$ 50 mil. “Ficou claro que ela o ofendeu por causa da sua nacionalidade e este fato foi prejudicial para a carreira. Hoje a vítima trabalha como tatuador, mas depois deste fato ele, que era um trabalhador freelancer, ficou com dificuldades de encontrar outros trabalhos”, explicou o advogado.

A Sephora foi procurada pela reportagem para falar sobre os procedimentos adotados para atendimento do trabalhador depois do fato, mas não respondeu até a publicação deste texto.

Agora a Justiça decide de acata ou não a denúncia e será iniciada a fase de defesa da acusada.

Atualização (dia 18/10/2025)

Por meio de seu advogado, a acusada enviou a seguinte nota ao Plural:

"A Sra. Carmen Ligia Rodolpho, por intermédio de seu advogado, Leonardo Fernandes, vem a público esclarecer que repudia veementemente as acusações de injúria racial e xenofobia, das quais são inverídicas e infundadas. A denúncia é desprovida de provas robustas que comprovem a ocorrência de qualquer crime. Conforme será exposto e elucidado na via judicial."

homem branco com barba
A vítima do crime de Xenofobia. Foto: Arquivo pessoal

 

 

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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